Iveco, “multinacional respeitável”, mantem contrato com transportadora que tem diretores denunciados também por formação de quadrilha, pagando até 70% a mais pelo frete dos seus veículos
28/04/2011 – O princípio constitucional (artigo 57) de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, não é respeitado pela diretoria brasileira da montadora Iveco, desde há muitos anos. Em setembro de 2003, a montadora “multinacional respeitável”, homologou a Transportes Gabardo, empresa com sede no Rio Grande do Sul, para transportar parte de seus veículos. Mas nenhuma carga foi entregue. O motivo: o ex-presidente do Sindicam (sindicato que se intitula nacional dos cegonheiros) Roberto Augusto Francisco, publicou num jornal gaúcho, “apedido” fazendo graves e infundadas acusações à Gabardo. Na Justiça, o ex-cegonheiro, que prestou depoimento no Ministério Público Federal afirmando que Vitório Medioli (proprietário do grupo Sada), acusando-o de ameaça de morte, não provou nenhuma sequer das acusações que fez publicar, dias antes de a “multinacional respeitável” tomar a decisão a respeito dos transportadores. Cópia do “apedido” foi parar imediatamente nas mãos da diretoria brasileira da Iveco. Pronto: o serviço estava feito por parte do cegonheiro, fazendo com que a “multinacional respeitável” não autorizasse a transportadora gaúcha a operar no frete dos veículos Iveco.
A Iveco encaminhou correspondência à Ancive (associação que reúne todos os concessionários da marca), informando que “A Gabardo, apesar de ter sido homologada tecnicamente, não será incluída no rol, por estar sendo alvo de acusações consideradas graves, não podendo a Iveco, como empresa multinacional idônea, ser conotada com tais fatos. Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser considerada”. O website investigativo www.anticartel.com conseguiu cópia do documento com exclusividade.
Mesmo que o acusador, Roberto Augusto Francisco, não tivesse conseguido provar nenhum dos itens publicados em seu “apedido”, quando interpelado judicialmente pela empresa gaúcha, nesses quase oito anos passados, a Iveco, “multinacional respeitável”, ao que parece, só tomou conhecimento do “apedido” contendo as acusações. Do fato de as acusações serem absolutamente infundadas, e que tiveram como fundamento agredir moralmente a transportadora gaúcha, a Iveco não tomou conhecimento por absoluta conveniência. Até hoje, a parte da correspondência oficial encaminhada à Ancive que refere “Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser consdierada”.
Não se pode acreditar no que a diretoria brasileira da Iveco escreve.
Multinacional respeitável – Indiscutivelmente a Iveco não é uma multinacional respeitável como se autodenomina. A ser verdadeira essa afirmação, o contrato de prestação de serviços com a Sada Transportes e Armazenagens para o transporte dos veículos Iveco precisa ser rompido imediatamente. Isso porque o seu presidente, Vitório Medioli e o diretor comercial Edson Pereira, foram indiciados pela Polícia Federal por crimes de formação de cartel e de quadrilha. Foram denunciados pelo Ministério Público Federal e a denúncia foi aceita pela Justiça Federal. Junto com eles, e praticando os mesmos crimes, outros 11 integrantes da organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no país (segundo constatou o relatório do inquérito da Polícia Federal). Desse total de 13 denunciados, também estão incluídos outros diretores de empresas ligadas à Sada, a Brazul e a Transzero.
A denúncia do Ministério Público Federal, aceita pela Justiça Federal certamente é bem mais grave do que um “apedido” publicado por alguém que tem objetivos escusos, ou melhor, bem claro: a serviço das empresas que são acusadas de comporem a organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no país.
Frete mais caro – A rede de concessionários da marca Iveco bem que poderia questionar por qual motivo a montadora Iveco, que se autodenomina “multinacional respeitável”, continua pagando à Sada, frete de até 70% mais caro do que empresas concorrentes. A constatação foi feita pelo Ministério Público Federal, e é peça integrante da denúncia enviada à Justiça Federal. Caso qualquer concessionário demonstre interesse no documento, o website investigativo www.anticartel.com poderá disponibilizar. A redução no valor de frete, num país aparentemente de livre concorrência como o Brasil, poderia representar maior competitividade aos veículos Iveco, aumentando o volume de vendas e conquistando maior número de clientes.
Nota do editor – Até o fechamento da matéria, o presidente da Ancive, Teodoro da Silva, contatado, não deu retorno.
A assessoria de comunicação da Iveco, informou que a “multinacional respeitável” não irá se pronunciar sobre o assunto. Não tem o que dizer. E se disser algo ou escrever, ninguém poderá acreditar.
A Transportes Gabardo, igualmente preferiu não se pronunciar.
Mas fica a indagação para que o internauta tente entender.
Em 2003, a Iveco, por ser uma “multinacional respeitável”, vetou a empresa Gabardo de transportar os seus veículos, pelo fato de que “estaria sendo alvo de graves acusações”.
Em 2010, a Sada, sua principal transportadora tem dois diretores denunciados na Justiça Federal por crimes de formação de cartel e de quadrilha.
Onde está o critério da “multinacional respeitável”?