Montadoras comemoram resultados e consumidor amarga lesão de R$ 438 milhões
16/09/2010 – Enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), entidade mor das montadoras comemora a venda de 2 milhões, 190 mil veículos nos últimos 12 meses, os consumidores brasileiros amargam prejuízos que podem superar a marca dos R$ 438 milhões. O motivo é o superfaturamento no preço dos fretes cobrados no transportes dos veículos novos, por transportadoras acusadas de formação de cartel e seus dirigentes até mesmo de formação de quadrilha.
Segundo relatório de inquérito da Polícia Federal, as transportadoras, juntas com a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), mais o Sindican (Sindicato que se julga Nacional dos Cegonheiros), montaram uma organização criminosa para aniquilar a concorrência e impedir o ingresso de novos agentes econômicos nesse mercado.
O valor do enorme prejuízo causado aos consumidores está baseado na cobrança de R$ 200,00 a mais por veículo comercializado transportado por essas empresas. De acordo com afirmações feitas pelo Ministério Público Federal, em peça integrante da denúncia contra 11 executivos de transportadoras e dois líderes da ANTV e do Sindican, na ação penal 2004.71.00.027141-8, só na Iveco, os consumidores estão pagando fretes superiores a valores cobrados pela concorrência em até 82%. A transportadora responsável pela carga, ainda segundo o MPF, é a Sada, que tem dois executivos denunciados no processo.
Em outra ação penal, o ex-presidente do Sindican (entidade apontada pela Polícia Federal como o braço político da organização criminosa), Aliberto Alves; o ex-presidente da ANTV Paulo Roberto Guedes e o diretor para assuntos institucionais da General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior, foram condenados em primeira instância pela Justiça Federal por crimes contra a ordem econômica/tributária – formação de cartel. Os recursos se arrastam em esferas superiores.
Em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra Moan, Sindican, ANTV e General Motors do Brasil, a Justiça Federal obrigou a GM a contratar transportadora não associada à ANTV para escoar 10% da sua produção no rio Grande do Sul e parte em outras plantas de São Paulo. Depois de uma nebulosa cotação de preços, a GMB contratou a empresa Júlio Simões, que tem sede em Mogi das Cruzes.
Atualmente, a Júlio Simões transporta veículos para a General Motors do Brasil a um custo 55% inferior ao que cobram as demais transportadoras acusadas de formação de cartel.
É a prova contundente de que as empresas acusadas de formação de cartel superfaturam os valores, as montadoras pagam e os consumidores são lesados.
| Denunciados: |
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Aliberto Alves
ex-presidente do Sindicam |
Vitorio Medioli
proprietário da Sada |
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Mário Sérgio Moreira Franco
Tegma |
Fernando Luiz Schettino Moreira
Tegma |
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Evandro Luiz Coser
Tegma |
Orlando Machado Júnior
Tegma |
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Gilberto dos Santos Portugal
Brazul |
Roberto Carlos Caboclo
Transzero |
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Mário de Melo Galvão
Brazul |
Tito Lívio Barroso Filho
Tegma |
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Gennaro Oddone
Tegma |
Édson Luiz Pereira
Sada |
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Luiz Salvador Ferrari
presidente da ANTV |
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