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  Informativo Anticartel.com (205), 14 de Junho de 2010.  
 

Transportadoras acusadas de formação de cartel tem altos lucros. São fraudadas e sequer sabem

14/06/2010
– Investigações policiais indicam que cerca de R$ 2 milhões em cheques da empresa Sada Transportes e Armazenagens, de propriedade de Vitorio Medioli (denunciado na Justiça Federal por formação de cartel e de quadrilha, junto com o executivo da mesma empresa, Édson Luiz Pereira)) passaram pelas contas do casal de ex-funcionários, Éder Feliciano Marques Oliveira e Simone de Resende Homem de Oliveira. Enquanto isso, a Tegma Gestão e Logística, que tem cinco de seus diretores (Mário Sérgio Moreira Franco, Evandro Luiz Coeser, Gennaro Oddone, Fernando Moreira e Tito Lívio Barroso Filho, também denunciados por formação de cartel e de quadrilha ou bando), por seus altos lucros no mercado, recebeu premiação da Agência Estado, conforme matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, um dos mais conceituados do País. Naturalmente que o jornal omitiu o processo federal contra os diretores da Tegma, ao passo que em Betim, Minas Gerais, o desfalque na Sada foi noticiado. Mas a direção da empresa sequer sabia do rombo.
De acordo com o jornal eletrônico “Betim online”, "o que estranha, nesse caso, é que a aceitação de depósitos em quantias consideradas exorbitantes nas contas dos funcionários, que tinham salário de cerca de R$ 2.000, seria algo anormal e contrário aos procedimentos bancários. A gerência do Banco do Brasil em Betim não realizou nenhum procedimento que pudesse identificar essa movimentação", explicou o advogado da Sada, Eduardo Lopes.

A reportagem de O Tempo (de propriedade do mesmo dono da Sada) apurou que o gerente Sinésio Campos era o responsável pelas contas do casal no banco. Ele informou que Éder era um cliente como outro qualquer e que o acesso que tinha à conta dele e da mulher também se dava da mesma forma que o de outros clientes.
Sinésio disse ainda que soube do fato através da imprensa e que o banco apenas se pronunciaria a partir de uma ordem judicial. "O que sei é o que li, e o banco não pode quebrar o sigilo dos seus clientes. Apenas mediante pedido da Justiça".
O advogado Eduardo Lopes discorda. "Eram movimentações atípicas e, se ele (gerente) tinha acesso a essas contas, era obrigação dele alertar".
Outro ponto não explicado pelo BB é o fato de que os cheques eram nominais a terceiros, mas, mesmo assim, eram compensados normalmente com endossos grosseiramente falsificados. "Detectamos que, pelo menos 30 pessoas, cujos cheques saíram em seus nomes, tinham contas na mesma agência do Banco do Brasil e era a coisa mais fácil do mundo a conferência dos respectivos endossos, procedimento que não foi feito", disse o advogado da Sada.
Outro banco que recebeu parte do dinheiro desviado da Sada para contas dos ex-funcionários foi o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), em Vargem Bonita, no Centro-Oeste de Minas.
Além do casal, o empresário do ramo de joalheria Antônio Ferreira de Oliveira, tio de Éder, foi preso, acusado de envolvimento no esquema. De acordo com o advogado da empresa, Eduardo Lopes, Oliveira teve diversos cheques da Sada endossados por Éder de forma fraudulenta. A movimentação era feita em sua conta pessoal e da empresa Dornas Joias, de sua propriedade, na agência do Unibanco.
Outro suspeito é o ex-funcionário Luiz Guilherme Marques dos Santos, que trabalhava diretamente com Éder e sua mulher, no caixa da empresa. Desde a prisão do casal, ele está foragido.
De acordo com a polícia, a expectativa é que Luiz Guilherme se entregue ainda hoje. "Na elaboração do processo, vimos que o Luiz é sócio de uma das três fazendas de Éder, em Vargem Bonita. Por meio de uma auditoria fiscal, descobrimos outras fraudes", explicou.
Na Sada, acusada de participar do esquema de cartelização no setor de transporte de veículos novos, que impede a livre concorrência, é tão grande o ingresso de recursos, que sequer havia sido notado o desfalque. Na Tegma, outra transportadora acusada do mesmo crime, a Agência Estado a considerou como a oitava empresa do país com melhor desempenho para seus acionistas. Também pudera!



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