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  Informativo Anticartel.com (195), 06 de Abril de 2010.  
 

Fundador do Sindican disse ao MPF há sete anos quem manda atear fogo em caminhões-cegonha

06/04/2010
– Há sete anos que o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Polícia Federal, sabem quem manda atear fogo em caminhões-cegonha que fazem o transporte de veículos novos no País. Mas nenhuma providência ou medida coercitiva até agora foi tomada, o que tem garantido a impunidade aos autores dos atos de selvageria e vandalismo nas rodovias brasileiras. Só no ano passado, 10 caminhões-cegonha carregados com veículos novos foram queimados. Em alguns casos, os autores são conhecidos, têm seus nomes comunicado às autoridades, impotentes no combate a essa prática criminosa. Em 1004,
chegou a ser divulgado o nome de um cegonheiro filiado ao Sindican, que teve a ousadia, por conta da certeza da impunidade, de locar veículos no Rio de Janeiro, que foram utilizados na perseguição de caminhões-cegonha, com disparos de arma de fogo contra carga e incêndio em carretas carregadas. Eduardo Aristides Rigoni do Carmo, filiado ao Sindican, locou um Golf e um Santana em Rezende, Rio de Janeiro. O Golf, de placas DGN-0335, foi até Belo Horizonte, onde seus ocupantes realizaram o atentado.

Em janeiro de 2003 (há mais de sete anos), o sócio-fundador e presidente do Sindican por 10 anos, de 1979 a 1989, Roberto Augusto Francisco, contou tudo ao Ministério Público Federal, num extenso depoimento. De acordo com ele, “toda vez que se pretende aumentar o valor do frete ou excluir alguma empresa do segmento, os cegonheiros filiados ao Sindican/ANTV passam a se reunir junto as montadoras que, sob o disfarce de um movimento reivindicatório atuam de maneira violenta ameaçando a regularidade do transporte, seja queimando cegonhas, seja agredindo aqueles que não fazem parte da manifestação”.

As informações prestadas por Roberto Augusto Francisco mostram toda a estrutura intimidatória formada pelo sistema Sindican/ANTV, que “através da contratação de PMS e de seguranças fortemente armados, garantem a coação” de quem se rebela contra a categoria ou ao esquema montado.

Roberto Augusto Francisco revelou que desde o início da construção da GM de Gravataí, participou da organização de uma cooperativa com vista a conquistar parte do transporte dos veículos fabricados no Rio Grande do Sul. “Como o Sindican e a ANTV não tinham interesse que outros grupos pudessem participar desse transporte, sofri ameaças direta de Vitorio Medioli, presidente da Sada, o qual solicitou a minha saída da cooperativa abandonando o processo que culminaria na conquista de parte do frete da GM de Gravataí”.

O ex-presidente recorda-se, inclusive, “que Vitorio Medioli ordenou que não mexesse mais em Gravataí e que em face de tal postura, ainda naquele ano, em reunião em que estavam presentes, Paulo Roberto Guedes, então presidente da ANTV, o próprio Aliberto Alves, então presidente do Sindican, mais Miguel Campos, diretor da Sada, recebi a comunicação de que se continuasse, estaria morto e que, a partir daquele momento, perdera todas as frotas (caminhões-cegonha) que possuía”.

De acordo com o relato feito por Roberto Augusto Francisco, o MPF concluiu que o Sindican hoje apenas encobre a qualidade de um sindicato transformando-se numa conexão de pessoas com alto poder político e econômico que empregam medidas violentas e imorais para garantir a manutenção do cartel no setor de transporte de veículos novos. O Sindican tornou-se o braço político das transportadoras que se organizaram em uma associação, a ANTV.

Denunciados:  
Aliberto Alves
ex-presidente do Sindicam
Vitorio Medioli
proprietário da Sada
Mário Sérgio Moreira Franco
Tegma
Fernando Luiz Schettino Moreira
Tegma
Evandro Luiz Coser
Tegma
Orlando Machado Júnior
Tegma
Gilberto dos Santos Portugal
Brazul
Roberto Carlos Caboclo
Transzero
Mário de Melo Galvão
Brazul
Tito Lívio Barroso Filho
Tegma
Gennaro Oddone
Tegma
Édson Luiz Pereira
Sada
Luiz Salvador Ferrari
presidente da ANTV
 



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