Fundador do Sindican disse ao MPF há sete anos quem manda atear fogo em caminhões-cegonha
06/04/2010 – Há sete anos que o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Polícia Federal, sabem quem manda atear fogo em caminhões-cegonha que fazem o transporte de veículos novos no País. Mas nenhuma providência ou medida coercitiva até agora foi tomada, o que tem garantido a impunidade aos autores dos atos de selvageria e vandalismo nas rodovias brasileiras. Só no ano passado, 10 caminhões-cegonha carregados com veículos novos foram queimados. Em alguns casos, os autores são conhecidos, têm seus nomes comunicado às autoridades, impotentes no combate a essa prática criminosa. Em 1004,
chegou a ser divulgado o nome de um cegonheiro filiado ao Sindican, que teve a ousadia, por conta da certeza da impunidade, de locar veículos no Rio de Janeiro, que foram utilizados na perseguição de caminhões-cegonha, com disparos de arma de fogo contra carga e incêndio em carretas carregadas. Eduardo Aristides Rigoni do Carmo, filiado ao Sindican, locou um Golf e um Santana em Rezende, Rio de Janeiro. O Golf, de placas DGN-0335, foi até Belo Horizonte, onde seus ocupantes realizaram o atentado.
Em janeiro de 2003 (há mais de sete anos), o sócio-fundador e presidente do Sindican por 10 anos, de 1979 a 1989, Roberto Augusto Francisco, contou tudo ao Ministério Público Federal, num extenso depoimento. De acordo com ele, “toda vez que se pretende aumentar o valor do frete ou excluir alguma empresa do segmento, os cegonheiros filiados ao Sindican/ANTV passam a se reunir junto as montadoras que, sob o disfarce de um movimento reivindicatório atuam de maneira violenta ameaçando a regularidade do transporte, seja queimando cegonhas, seja agredindo aqueles que não fazem parte da manifestação”.
As informações prestadas por Roberto Augusto Francisco mostram toda a estrutura intimidatória formada pelo sistema Sindican/ANTV, que “através da contratação de PMS e de seguranças fortemente armados, garantem a coação” de quem se rebela contra a categoria ou ao esquema montado.
Roberto Augusto Francisco revelou que desde o início da construção da GM de Gravataí, participou da organização de uma cooperativa com vista a conquistar parte do transporte dos veículos fabricados no Rio Grande do Sul. “Como o Sindican e a ANTV não tinham interesse que outros grupos pudessem participar desse transporte, sofri ameaças direta de Vitorio Medioli, presidente da Sada, o qual solicitou a minha saída da cooperativa abandonando o processo que culminaria na conquista de parte do frete da GM de Gravataí”.
O ex-presidente recorda-se, inclusive, “que Vitorio Medioli ordenou que não mexesse mais em Gravataí e que em face de tal postura, ainda naquele ano, em reunião em que estavam presentes, Paulo Roberto Guedes, então presidente da ANTV, o próprio Aliberto Alves, então presidente do Sindican, mais Miguel Campos, diretor da Sada, recebi a comunicação de que se continuasse, estaria morto e que, a partir daquele momento, perdera todas as frotas (caminhões-cegonha) que possuía”.
De acordo com o relato feito por Roberto Augusto Francisco, o MPF concluiu que o Sindican hoje apenas encobre a qualidade de um sindicato transformando-se numa conexão de pessoas com alto poder político e econômico que empregam medidas violentas e imorais para garantir a manutenção do cartel no setor de transporte de veículos novos. O Sindican tornou-se o braço político das transportadoras que se organizaram em uma associação, a ANTV.
| Denunciados: |
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Aliberto Alves
ex-presidente do Sindicam |
Vitorio Medioli
proprietário da Sada |
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Mário Sérgio Moreira Franco
Tegma |
Fernando Luiz Schettino Moreira
Tegma |
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Evandro Luiz Coser
Tegma |
Orlando Machado Júnior
Tegma |
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Gilberto dos Santos Portugal
Brazul |
Roberto Carlos Caboclo
Transzero |
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Mário de Melo Galvão
Brazul |
Tito Lívio Barroso Filho
Tegma |
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Gennaro Oddone
Tegma |
Édson Luiz Pereira
Sada |
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Luiz Salvador Ferrari
presidente da ANTV |
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