Enquanto a Justiça esbarra na lentidão da lei, Tegma e Sada compram empresas para manter o cartel no setor transporte de veículos
17/03/2010 – Enquanto a Justiça se arrasta por conta da lentidão imposta pelos sem-número de recursos legais, o cartel no setor de transporte de veículos novos continua em ritmo acelerado. Os dois grandes grupos, Tegma e Sada, (acusados de formação de quadrilha pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal ao liderarem uma organização criminosa) prosseguem na caçada de empresas, comprando ações para mascarar alguns dos seus negócios e enganar os poderes constituídos. Recentemente, a Sada negociou a compra da empresa Akka Transportes. Segundo uma fonte do website investigativo www.anticartel.com a intenção é desencadear uma série de ações visando abocanhar maior fatia do mercado, implantando as políticas do grupo Sada, mas mantendo a Akka com os mesmos sócios (por um período determinado). Nessa compra, ainda de acordo com a fonte, uma das sócias foi “passada para trás” pelos outros dois acionistas (que terão seus nomes revelados na próxima semana).
Na peça acusatória firmada pelos procuradores da República – e a denúncia foi aceita pela Justiça Federal – os grupos liderados pela Sada Transportes e Armazenagens e Tegma Gestão e Logística, em comunhão de esforços e unidade de desígnios, abusaram do poder econômico, dominando o mercado de serviço de transporte rodoviário de veículos novos, eliminando totalmente a concorrência mediante o ajuste ou acordo de empresas, a aquisição de acervos, cotas e ações de empresas do setor, além da coalizão, fusão e integração de empresas desse mesmo ramo de atividade.
A Tegma, de acordo com as investigações efetivadas pelo MPF, é resultado da fusão das empresas Transportadora Sinimbu e ADB Holdings, antiga Axis Holdings, cuja propriedade recai sobre Mário Sérgio Moreira Franco e Fernando Luiz Schettino Moreira, junto com Evandro Luiz Coser e Orlando Machado Júnior. Além disso, os procuradores também concluíram que o mesmo grupo já incorporou a Transfer T. Ferroviária de Veículos, Transportadora Schlatter, Translor Veículos e Autotrans Transporte de Veículos. A par disso, prossegue a peça acusatória, o grupo Tegma vem adquirindo também, ações ordinárias nominativas de empresas relacionadas ao setor de transporte rodoviário de veículos novos, o que está comprovado nas folhas 1494/1495, em que o referido grupo adquiriu 49% do capital social da empresa Catlog Logística de Transportes, empresa sediada em São José dos Pinhais, no Paraná com o objetivo de, inclusive, promover a otimização das receitas e redução dos custos operacionais e administrativos da Catlog.
Já no grupo Sada, presidido pelo ex-deputado federal Vitorio Medioli (que perdeu o foro privilegiado e por isso foi denunciado pelo MPF), a concentração não é menor: estão sob a mesma orientação e comando, a Brazul Transportes de Veículos, Tnorte Transnordestina de Veículos, Transzero Transportadora de Veículos e Dacunha Transportes.
Todas as empresas mencionadas, além do ex-presidente do Sindicam Aliberto Alves, ainda de acordo com o Ministério Público Federal, elevaram, sem justa causa, o preço do serviço de frete rodoviário de veículos automotores novos, valendo-se de posição dominante no mercado, causando graves danos à coletividade. Os denunciados já começaram a apresentar a defesa prévia na ação criminal. Tito Lívio Barroso Filho, da Tegma, foi o primeiro.
| Denunciados: |
Aliberto Alves
ex-presidente do Sindicam |
Vitorio Medioli
proprietário da Sada |
Mário Sérgio Moreira Franco
Tegma |
Fernando Luiz Schettino Moreira
Tegma |
Evandro Luiz Coser
Tegma |
Orlando Machado Júnior
Tegma |
Gilberto dos Santos Portugal
Brazul |
Roberto Carlos Caboclo
Transzero |
Mário de Melo Galvão
Brazul |
Tito Lívio Barroso Filho
Tegma |
Gennaro Oddone
Tegma |
Édson Luiz Pereira
Sada |
Luiz Salvador Ferrari
presidente da ANTV |
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