Organização criminosa que controla transporte de veículos continua agindo livremente
14/12/2009 – Enquanto a Polícia Federal e a Receita Federal montam mega operação para ir atrás de um suposto desvio de R$ 63 milhões na antiga administração da Universidade Luterana, no Rio Grande do Sul, a organização criminosa (segundo relatório de investigação feita pela Polícia Federal) que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o País continua agindo livre e impunemente. Mais de 120 policiais federais e um gigantesco aparato policial foi montado para vasculhar, inclusive a residência do ex-reitor Ruben Becker no município de Canoas, a 10 quilômetros da capital gaúcha.
Mas no caso do cartel que controla o setor de transporte de veículos que, segundo apurou o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, causou um prejuízo superior aos R$ 8 bilhões no bolso dos consumidores brasileiros, operação semelhante não foi ainda desencadeada.
Ao contrário do caso da Universidade Luterana, o cartel no transporte de veículos usa o seu braço político, integrantes do Sindicam para prosseguir sua caminhada de destruição, ateando fogo em caminhões-cegonha de empresas concorrentes (foto) nas barbas das autoridades constituídas, sem sofrer qualquer sanção. Além disso, também diferente do caso da Universidade Luterana, os processos contra integrantes do cartel arrastam-se a passos de tartaruga na mesma Justiça Federal que ordenou as buscas e apreensões ao ex-reitor e seus comandados.
Na mesma Justiça Federal, a ação civil pública contra a General Motors, a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sindicam) e o diretor para assuntos institucionais da General Motors, Luiz Moan Yabiku Júnior, arrasta-se na 6ª Vara Cível da Justiça Federal do Rio Grande do Sul desde 2002.
Na área criminal, Luiz Moan Yabiku Júnior, Aliberto Alves (ex-presidente do Sindicam) e Paulo Roberto Guedes (ex-presidente da ANTV) foram condenados em primeira instância por crimes contra a ordem econômica (formação de cartel). Mas apelaram ao Tribunal Regional Federal. A apelação está com o desembargador federal Tadaaqui Hirose, da 7ª Turma, desde 29 de janeiro de 2007, sem nenhuma decisão. Dentro de pouco mais de 30 dias, o recurso estará completando 3 anos, percorrendo corredores e gavetas.
Em outra ação penal da Justiça Pública, onde seis integrantes do cartel, dentre líderes sindicais e diretores de grandes transportadoras são acusados pela Polícia Federal, inclusive por formação de quadrilha, na mesma Justiça Federal que determinou as buscas e apreensões e o enorme aparato policial federal ao ex-reitor da Universidade Luterana, o processo se arrasta desde 22 de junho de 2004. também sem decisão. Neste caso, há a ajuda do Ministério Público Federal, que está com o processo em carga desde 17 de julho, há mais de cinco meses.
Um empresário que reside no prédio onde a Polícia Federal e a Receita Federal arrombaram o apartamento do ex-reitor da Universidade Luterana, comentou ao website investigativo www.anticarte.com nunca ter visto um aparato policial tão grande.
E o website investigativo www.anticarte.com nunca viu tamanha diferença de tratamento entre o dispensado ao ex-reitor Ruben Becker (sem querer fazer a sua defesa) e o dado aos integrantes do cartel no setor de transporte de veículos que, comprovadamente continua causando tantos prejuízos ao bolso dos consumidores e à economia como um todo, a partir do momento em que usa ações criminosas para impedir a livre concorrência, absolutamente impune.