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  Informativo Anticartel.com (122), 05 de dezembro de 2008.  
 

União dos Cegonheiros acusa duas empresas de descartarem autônomos após alcançarem objetivos

05/12/2008 – Um grupo de cegonheiros autônomos que se autodenomina União dos Cegonheiros, manteve paralisada, por dois dias, a saída de veículos do armazém alfandegário Terca, no quilômetro 281 da BR-101, em Cariacica, no Espírito Santo. O motivo alegado é o de que as duas empresas, uma do Rio Grande do Sul e outra do Espírito Santo, “alcançaram o objetivo delas, que era utilizar a gente enquanto eles precisavam de carretas e no momento em que eles compraram equipamentos, nós fomos descartados”. As transportadoras, que lutaram por uma fatia do disputado mercado de transporte de veículos, eram consideradas “sem-terra”. Depois de conquistada parte da carga de veículos novos, “acabaram virando as costas para ex-companheiros de luta”, se queixou um dos coordenadores do movimento.
Os manifestantes dizem que agora estão desempregados, já que depois de as empresas adquirirem dezenas de equipamentos (cavalos mecânicos e carretas cegonhas), “não querem mais contratar autônomos para o trabalho, escolhendo microempresas para ajudarem no escoamento do transporte”, sintetizam.
Eles também afirmam que “a empresa que tinha o vínculo com os cegonheiros descumpriu um acordo que permitia a nossa participação no trabalho. Eles estão trabalhando e nós estamos parados, sem trabalho." De acordo com Waldir de Souza, o objetivo da manifestação é reivindicar a participação dos cegonheiros do Espírito Santo no trabalho feito no Estado. A única saída que temos é a paralisação solicitando uma negociação", disse Waldir.
O microempresário Lindomar Gasparin Lemos, que presta serviços para uma das transportadoras, e que sempre foi defensor do direito dos autônomos em conquistar seu trabalho, agora que está trabalhando, não concorda com a manifestação. "Nós estamos dispostos a trabalhar e eles estão impedindo o nosso direito de ir e vir. Acho isso um absurdo, mas não podemos fazer nada", declarou, esquecendo do passado recente.

O gerente administrativo e operacional de uma das transportadoras, afirmou que a empresa já trabalha com 60 caminhões terceirizados e que não tem condições de contratar e nem de pagar mais caminhoneiros. Ele afirmou ainda que a transportadora entrou com uma ação no Ministério Público Estadual e no Fórum de Cariacica para dar fim à manifestação, por prejudicar o trabalho dos funcionários da empresa. Esta é a mesma empresa que tentou conquistar uma fatia do mercado, fazendo denúncias ao Ministério Público Federal, por se sentir prejudicada e não ter direito a participar do concorrido mercado.
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