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  Informativo Anticartel.com (095), 31 de março de 2008.  
 

Polícia Federal e Ministério Público Federal recebem nova denúncia contra ameaças do Sindicam

31/03/2008A Polícia Federal e o Ministério Público Federal receberam na semana passada, nova denúncia contra ameaças feitas supostamente por integrantes do Sindicam (o sindicato dos cegonheiros de São Paulo que se intitula “nacional”). A autoria é um grupo de cegonheiros que têm base territorial em Goiás, e são reforçadas por cegonheiros “independentes” de Curitiba, Minas Gerais, e São Paulo.
A denúncia é baseada, de acordo com os cegonheiros, em ameaças veladas feitas por integrantes do Sindicam durante encontros ocorridos em postos de abastecimento das rodovias. Eles afirmam que, junto com os chamados “em-terra” (cegonheiros que possuem equipamentos, mas não detém vagas para trabalhar), filiados ao Sindicam preparam novos manifestos violentos, tendo como principal objetivo, manter o controle absoluto do mercado de transporte de veículos, tomando as cargas dos poucos que trabalham e que não são filiados ao sindicato paulista.
No início do mês, o website investigativo www.anticartel.com recebeu denúncia, revelando que empresas estão cobrando R$ 300 mil, divididos em 60 parcelas de R$ 5 mil para abrirem novas vagas no setor de transporte de veículos. As chamadas “vagas”, no entanto, seriam oferecidas apenas para integrantes do Sindicam, alguns deles, inclusive, com mais de 30 caminhões-cegonha.
Segundo correspondência eletrônica encaminhada à PF e ao MPF, os cegonheiros alertam que, “conforme é do conhecimento dessas autoridades, assistimos num passado não muito distante, movimentos semelhantes, recheados de atos violentos, como depredação de caminhões-cegonha, lançamento de conquetéis molotov, disparos de armas de fogo e toda a sorte de atentados que não se restringem aos colegas cegonheiros, mas que se estenderam a empresas que têm contratos a cumprir e prazos firmados para a entrega dos veículos transportados”.
O texto diz, ainda, que “se aguardada providências, no sentido de evitar que nossas rodovias se transformem em campos de guerra, como aconteceu recentemente”. Para esse grupo de cegonheiros, as ameaças se repetem, tendo como apoio,  “a impunidade que reina no setor, uma vez que dos atentados violentos do passado, nenhuma pessoa ou entidade foi responsabilizada, o que garante o retorno dos atos de vandalismo que só nos têm causado prejuízos econômicos e psicológicos”.
Na longa mensagem eletrônica, os cegonheiros dizem que “os integrantes do Sindicam, agora aliados aos chamados sem-terra, apostam na impunidade e, por isso mesmo, continuam com seus atos de terrorismo e de força, com a única finalidade de ganhar mercado ou, pior, tomar para si o trabalho de quem luta pela sobrevivência de forma digna, honrada e séria. É inadmissível que fatos como esses continuem a nos ameaçar, mesmo depois de tantas e tantas denúncias comprovadas do envolvimento dos integrantes do Sindicam em atos de violência, incompatíveis com o regime democrático de direito. Resta-me fazer esta indagação: Até quando essa gente vai mandar e desmandar, pela força, aos olhos das autoridades competentes deste País? Será que perderemos nosso serviço, conquistado a duras penas, por um regime de força que supera o poder dar autoridades constituídas?” finaliza o documento.

Força – Depois que o Cade proferiu a decisão equivocada de arquivar o processo de formação de cartel contra o Sindicam e a ANTV, até os condenados criminalmente em primeira instância pela Justiça Federal, Aliberto Alves (ex-presidente do Sindicam), Paulo Roberto Guedes (ex-presidente da ANTV) e Luiz Moan Yabiku Júnior (diretor para assuntos institucionais da General Motors do Brasil, parece terem ganhado força. Estão utilizando o acórdão do Cade para tentar reverter as condenação. Na esfera cível, a General Motors do Brasil usou o mesmo documento para pedir a extinção da ação civil pública, na qual é ré, junto com Moan, o Sindicam e a ANTV. Outro inquérito policial federal está em andamento na Justiça Federal, contando com seis indiciados: Aliberto Alves, Elias Fazan e mais quatro executivos de transportadoras. Ainda não houve sentença.


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