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  Informativo Anticartel.com (089), 28 de fevereiro de 2008.  
 

General Motors gasta R$ 199,2 milhões a mais com pagamento superfaturado no frete

28/02/2008A General Motors do Brasil gastou, em 2007, R$ 199,2 milhões a mais com o pagamento superfaturado no frete para transportar os 498 mil veículos colocados no mercado. O número de veículos foi divulgado pelo presidente da montadora para o Mercosul, Jaime Ardila, em entrevista a um jornal do centro do País. O valor gasto a mais foi apurado pelo website investigativo www.anticartel.com que levou em conta o frete superfaturado cobrado – R$ 400,00 a mais por unidade, em média – pelas transportadoras que fazem o escoamento da produção (com exceção da Júlio Simões, que cobra cerca de 50% do valor das demais). Elas praticam valores bem superiores aos de mercado e integram, segundo inquérito policial federal, uma organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos.
Por não permitir o ingresso de novos agentes no mercado, o diretor para assuntos institucionais da GM, Luiz Moan Yabiku Júnior já foi condenado em primeira instância, pela Justiça Federal na área criminal. Junto com ele também foram condenados o presidente do Sindicam (deixou a entidade em janeiro, depois de 10 anos) Aliberto Alves e o ex-presidente da ANTV Paulo Roberto Guedes. A General Motors do Brasil também é ré em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, depois de receber denúncia de formação de cartel feita pelo sindicato dos cegonheiros do Rio Grande do Sul. São réus ainda, Luiz Moan Yabiku Junior, o Sindicam e a ANTV.
A explicação para o pagamento de fretes abusivos que são integralmente repassados aos consumidores – que afeta as demais grandes montadoras –
pode estar numa das conclusões da autoridade policial que conduziu o inquérito que investigou o setor. O delegado federal destacou que não são apenas os cegonheiros não-sindicalizados ou as empresas não-associadas à ANTV que sofrem com as medidas “impostas pelo cartel. As indústrias também são afetadas, se submetendo veladamente às ordens da organização criminosa, sob pena de não terem o escoamento de seus produtos, numa demonstração de domínio da posição relevante, conquistada pelo abuso do poder econômico, que traz, entre outras conseqüências, o paralelismo ilícito de preços”.
O delegado federal acrescentou à Justiça Federal, onde está tramitando a peça em segredo de Justiça (e que ainda não foi sentenciada), que as interceptações telefônicas juntadas no caderno policial vêm corroborar o narrado na peça, deixando evidenciado estarmos diante de uma estrutura montada que tem o desiderato de manter o monopólio do mercado de transporte de veículos novos, sem a interferência de terceiros, mesmo que
estes possam representar condições mais favoráveis às montadoras e consumidores.

Incentivos sem risco – A verdadeira corrida da General Motors em busca de incentivos pode ser determinada pela facilidade com que os executivos encontram no trato com integrantes dos governos nas mais diversas esferas. São contatos de alto nível e que revertem favoravelmente em redução de despesas. Bem diferente do problema que enfrentariam caso decidissem alcançar a redução de custos enfrentando uma queda-de-braço com a força do cartel, contratando novos transportadores a preços mais competitivos, que poderiam ser repassados aos consumidores.
A negociação para conquistar incentivos com os governos dos estados é mais prática, simples e menos perigosa do que enfrentar uma organização criminosa capaz de bloquear o escoamento da produção. Além disso, o superfaturamento no valor do frete não causa nenhum transtorno às montadoras, uma vez que, a partir da implantação do frete CIF (os custos integram o valor da produção) o consumidor acaba pagando toda a conta, sendo, ainda, penalizado com o acréscimo no valor do seguro e IPVA, sem contar, é claro, no caso dos financiamentos.
No Rio Grande do Sul, a General Motors foi a única montadora a conquistar incentivos fiscais. Outros tantos no aumento da planta de Gravataí, incluindo importações pelo porto de Rio Grande. Agora, surgem novos incentivos em Pernambuco e em Santa Catarina, onde deverá ser implantada nova unidade fabril.

De incentivo em incentivo, a General Motors vai garantindo competitividade, enquanto a organização criminosa que comanda o setor de transporte de veículos novos, também aumenta os lucros ilicitamente. Até que alguma autoridade constituída deste país decida efetivamente colocar um fim no abuso e aliviar o bolso do consumidor.


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