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  Informativo Anticartel.com (054), 20 de agosto de 2007.  
 

Congresso da Fenabrave inicia sem a Júlio Simões no palco

22/08/2007 – O XVII Congresso da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) inicia nesta quinta-feira, sem a participação de dirigentes da Transportadora Júlio Simões como palestrante. É que a empresa de Mogi das Cruzes, São Paulo, poderia dar importante contribuição aos concessionários de veículos de todo o país a respeito do sistema utilizado que proporciona a redução dos altos custos de frete, capaz de tornar os veículos mais competitivos. A organização do evento optou por palestras de políticos, a exemplo do ex-governador Germano Rigotto, do ex-vice-presidente da República, senador Marco Maciel e do ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari, além de Danuza Leão.
Além disso, a transportadora que cresce a cada dia em suas operações, foi uma das pioneiras a romper as barreiras impostas pela organização criminosa – de acordo com a Polícia Feral – que controla todo o setor de transporte de veículos, sob o comando do Sindicam e da ANTV, que se diz em liquidação, mas continua operante nos bastidores. O rompimento ocorreu por determinação da Justiça Federal do Rio Grande do Sul que obrigou a General Motors do Brasil a entregar 10% de sua produção de veículos a uma transportadora não-vinculada ao sistema cartelizante. A ação teve origem depois que o Sintravers, o sindicato dos cegonheiros gaúcho protocolou representação no Ministério Público Federal, o que resultou em ação civil pública contra a montadora norte-americana e, posteriormente, várias ações penais. Numa delas, o diretor para assuntos institucionais da GMB, Luiz Moan Yabiku Junior foi condenado por crime contra a ordem econômica (formação de cartel) junto com o presidente do Sindican, Aliberto Alves e o ex-presidente da ANTV Paulo Roberto Guedes. A apelação está no Tribunal Regional Federal e ainda não foi julgada.
A Júlio Simões atualmente cobra fretes 50% inferior aos praticados pelas demais transportadoras que escoam a produção da General Motors do Brasil e praticamente a totalidade das demais instaladas no País. Até agora nem o Ministério Público Federal e nem a Justiça Federal conseguiram identificar quais os consumidores que adquirem veículos transportados pela Júlio Simões a fim de saber se estão pagando valores menores ou se a diferença no valor do frete cobrado pela Júlio Simões está engordando os lucros da montadora norte-americana.


Sindicato – O sindicato dos cegonheiros do Rio Grande do Sul, que apresentou a representação por formação de cartel, passou a transportar para as empresas acusadas. Cinco integrantes da diretoria pegaram vagas nas transportadoras que fazem parte da organização criminosa, abocanhando o melhor frete (superfaturado). Enquanto isso, a maior parte dos associados foram “agregados” a Júlio Simões, sob pressão, recebendo fretes bem inferiores. Agora o sindicato tenta negociar frete maior a ser pago pela Júlio Simões que continua resistindo.


Transportadora – O crescimento da Júlio Simões vem chamando a atenção do mercado. De olho em fatia maior no transporte de veículos, a empresa de Mogi das Cruzes continua investindo pesado. Uma das mais tradicionais empresa de transporte de cargas, a Lubiani, foi adquirida pela Júlio Simões. Houve anúncio de investimentos da ordem de R$ 40 milhões. Cento e cincoenta caminhões foram adquiridos para a ampliação da frota.
Sediada no interior paulista, a Júlio Simões tem uma frota de 11 mil veículos, dos quais 1,2 mil são caminhões. Os colaboradores totalizam 9,2 mil e o faturamento alcançou R$ 1,1 bilhão no ano passado. A Lubiani, com sede em Piracicaba, reúne 708 colaboradores e conta com 1,1 veículos pesados, entre cavalos-mecânicos, pranchas e carretas.
Para o diretor vice-presidente da Julio Simões Logística, Fernando Antônio Simões, a aquisição representou mais um passo na estratégia de crescimento sustentado e expansão das operações do grupo. “A Lubiani é uma empresa modelo, que, ao longo de 46 anos, soube canalizar sua visão estratégica e o talento de sua gente para a construção de uma marca forte e reconhecida no mercado pela excelência de seus serviços”, ressaltou Simões.

Através da matriz de Mogi das Cruzes, além das filiais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a Julio Simões atua em todo o território nacional. Com sua frota de 1,2 mil caminhões e mais de 1 milhão de toneladas/mês movimentadas, atende empresas do porte de Siemens, Gerdau, Vivo, Volkswagen, White Martins, entre outras. No setor de transporte de veículos, atende a General Motors do Brasil, por enquanto.


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