Paraná vai ajudar o Rio Grande do Sul na luta contra a cobrança de pedágio
Do Rio Grande do Sul
28/06/2007 – O governador Roberto Requião colocou à disposição dos parlamentares da CPI do Pedágio da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul dados e suporte técnico sobre as ações travadas pelo governo do Paraná no combate ao pedágio. A determinação foi feita durante a reunião da Escola de Governo da última terça-feira, que abriu espaço para que os parlamentares gaúchos pudessem expor as ações e investigações que a CPI vem realizando no Rio Grande do Sul.
“O espaço foi aberto e, se precisarem de assessoria, nossos técnicos e o secretário dos Transportes estão à disposição. O governo, a secretaria e todos os dados estão à disposição da CPI, da governadora Yeda Crusius e do estado do Rio Grande do Sul”, destacou o governador do Paraná.
Para Requião, a investigação feita pela Assembléia gaúcha é semelhante às lutas que vêm ocorrendo no Paraná desde 2003, o que pode facilitar o intercâmbio de informações e reforça a necessidade de um amplo debate sobre o pedágio e seus modelos.
“Aqui nós temos um número enorme de ações judiciais. É um processo de resistência. Temos vitórias no Paraná, mas derrotas em Brasília. No Rio Grande do Sul, há um grupo de deputados que trava a mesma luta, procura espaço para discutir o pedágio, a sua necessidade e o seu modelo. Esse debate dá sustentação à nossa luta e é esclarecedor”, disse Requião.
O presidente da CPI gaúcha, deputado Gilmar Sossella, agradeceu o suporte dado pelo governador Requião e fez um rápido e detalhado panorama dos problemas enfrentados pela população e pela economia do Rio Grande do Sul com a cobrança do pedágio.
No Rio Grande do Sul existem nove pólos de pedágio, que abrangem 1,8 mil quilômetros de rodovias e onde há 28 praças de pedágio. “Nós estamos perdendo em competitividade para os Estados que não têm pedágio”, alertou Sossella. “Perdemos exportações para o porto de Itajaí, apesar do baixo custo da nossa tarifa portuária, por causa do pedágio. Cidadãos de grandes cidades gaúchas estão sitiados. Há muitas empresas e pequenos negócios deixando as cidades”, acrescentou.
“Se a alternativa é a concessão, há outros modelos mais econômicos, sem intermediários, sem prejuízo aos estados. Esperamos contar com o Paraná com informações que poderão contribuir com essa cruzada do Rio Grande do Sul”, reforçou Sossella que esteve acompanhado de mais três deputados: Álvaro Boéssio, Dionisio Marcon e Paulo Azeredo.
O deputado Paulo Azeredo reforçou a importância da troca de informação e conhecimento entre os técnicos e políticos dos estados. “É importante essa união dos estados do Sul. Nos unindo, há possibilidade de modificar o que vem ocorrendo”, salientou.
Para Álvaro Boéssio, o sistema de pedágio está equivocado e cria uma bi-tributação. “Não concordamos com o sistema de pedágio. Já pagamos tantos impostos e a população já não agüenta mais o custo da cobrança nas rodovias. Contamos com a equipe do governo do Paraná para nos ajudar nessa luta”, reforçou.
O secretário dos Transportes do Paraná, Rogério Tizzot, informou que toda a estrutura da secretaria e do Departamento de Estradas de Rodagem está à disposição dos deputados. “Aqui no Paraná, o problema é igual e o ônus à população é semelhante. A arrecadação das concessionárias está em R$ 750 milhões para cuidar de 2,5 mil quilômetros de estradas. É uma verdadeira aberração”, denunciou.
Tizzot voltou a reforçar que a cobrança da Cide, o imposto sobre os combustíveis, é o melhor pedágio possível. Segundo ele, a arrecadação é feita sem a necessidade da intermediação das concessionárias. “Enquanto isso, todo o sistema de arrecadação das empresas de cobrança das tarifas consome cerca de 20% da receita paga pelos motoristas”, finalizou.