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Informativo
Anticartel.com (039), 31 de maio de 2007. |
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Organização criminosa excluiu transportadora dos serviços da Renault, que mostra desconhecimento
Do Rio Grande do Sul
31/05/2007 – A organização criminosa – segundo a Polícia Federal – que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o país, liderada pelo Sindicam e ANTV, comandou a exclusão da transportes Gabardo dos serviços da montadora Renault, em 2002. A conclusão foi apresentada pela Procuradoria Geral da República em Brasília, e consta do relatório do procurador José Elaeres, encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Procurada pelo website investigativo www.anticartel.com a montadora se mostrou mal-informada ao ponto de garantir não ter conhecimento da formação de cartel no setor de transporte de veículos, embora as principais transportadoras vinculadas à ANTV sejam responsáveis pelo escoamento da sua produção.
O depoimento do cegonheiro Viannei Antônio Gomes, pode ser decisivo para que o Ministério Público Federal do Paraná investigue e acione judicialmente a montadora. “A conversa da montadora é sempre a mesma: só transportam por quem é associado da ANTV”. Esse foi o principal motivo que levou o MPF do Rio Grande do Sul a processar a General Motors do Brasil. O cegonheiro alega que possuí uma empresa de nome Transporte Rodoviário Sorriento, com duas cegonhas. Mesmo estando domiciliado em São José dos Pinhais, onde é a sede da Renault, “nunca conseguiu transportar nenhum veículo Renault”.
Sobre a pressão feita pelo Sindicam para que a operadora de logística CatLog (atualmente com participação societária da Tegma, mesma operadora de logística da General Motors), rompesse o contrato com a Transportes Gabardo, o MPF de Brasília argumenta que a montadora foi impedida pelo cartel de exercer sua liberdade de contratação, fato evidenciado pelo abrupto cancelamento das operações, sem motivo aparente, tendo em vista o fato de a referida transportadora não ter se alinhado ao cartel.
Para o procurador da República, “uma das conseqüências da atuação cartelizada da ANTV juntamente com o Sindicam, é o alijamento das empresas que não estão filiadas à associação. Essa exclusão ocorreu com a Transportes Gabardo, empresa com estabelecimento em Curitiba que efetuava o transporte dos veículos da marca Renault desde 1993”. Ele prosseguiu afirmando que “essa empresa foi excluída pela Renault sem que houvesse qualquer motivo que justificasse esse rompimento (conforme será comprovado nos autos do processo), a não ser a participação da transportadora no mercado, que ocupava espaço relevante pretendido pela ANTV e pelo Sindicam, o que revela a atuação cartelizada no setor de transportes”.
O MPF chegou à conclusão de que mesmo apresentando alta qualidade nos serviços, praticando os mesmos preços das demais empresas e aplicando um desconto nos transportes da Renault, a Gabardo foi excluída, o que evidencia que não existe outro motivo, a não ser a atuação cartelizada no setor, para justificar tal fato. Por não estar filiada à ANTV, a empresa gaúcha foi retirada do mercado, conseqüência da pressão exercida pela ANTV e pelo Sindicam sobre a CatLog, naturalmente com o conhecimento e consentimento dos altos executivos da montadora.
O representante do MPF também considerou “inócua” a alegação da CatLog de que o “rompimento com a Gabardo foi por questões comerciais”. Ficou claro que a empresa foi pressionada pela ANTV e pelo Sindicam. “Verifica-se, ainda, pelas provas produzidas ao longo das investigações levada a efeito pelo MPF, que as duas entidades, mesmo após o acordo com a CatLog, passaram a pressioná-la e a exigir uma série de reivindicações, o que demonstra que o Sindicam e a ANTV pressionam não apenas para adquirir mercado, mas também para obter ainda mais vantagens”. Além disso, para o MPF, há de considerar, inclusive, que o número de avarias no transporte da empresa excluída, era bem inferior aos índices apresentados pelas empresas que ficaram. Por fim, também ficou comprovado que após a exclusão da transportadora Gabardo, houve um “verdadeiro rateio” entre as transportadoras associadas à ANTV da parte que era transportada pela empresa excluída.
O final do relato dramático do cegonheiro Viannei Antônio Gomes é digno de ser recordado: “o fato é que se nós não defendermos a empresa brasileira, estaremos nos suicidando, até porque quem está por trás da ANTV é a poderosa Axis Sinimbu, multinacional (atualmente Tegma), que tem interesse em acabar com as empresas brasileiras do setor. A toda poderosa ANTV controla praticamente o transporte nacional de veículos. Urge que se investigue todas estas fusões de empresas transportadoras de veículos, certamente, detectar-se-á que desnacionalizamos o transporte de veículo de forma sutil e por pressão econômica combinada com as montadoras, todas estrangeiras. .. O mais constrangedor é que fomos ludibriados com promessas de que essas montadoras viriam para desenvolver a indústria e gerar empregos diretos e indiretos.”
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