Cartel do suco de laranja causou prejuízo de US$ 6 bilhões, dizem citricultores ao ministro da Justiça
Do Rio Grande do Sul
14/05/2007 – O ministro da Justiça, Tarso Genro, recebeu denúncia da existência de cartel no setor de processamento de suco de laranja. As informações foram transmitidas em uma reunião privada entre o ministro, o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, e outros representantes da entidade, em Brasília (foto-reprodução). “Consideramos a reunião positiva, especialmente porque o ministro da Justiça, Tarso Genro reconheceu que os citricultores foram prejudicados pela cartelização e que agora têm direito a ressarcimento”, afirmou Viegas.
As investigações sobre a formação de cartel entre as indústrias esmagadoras de laranja na compra da fruta estão tramitando na Secretaria de Direito Econômico (SDE). Parte dos documentos apreendidos nas empresas durante a Operação Fanta da Polícia Federal está sendo aberta, mas o presidente da Associtrus cobra a abertura dos papéis e de computadores que ainda estão lacrados.
A associação apresentou ao ministro Tarso Genro um cálculo aproximado do prejuízo acumulado pelos citricultores nos últimos 15 anos por conta da cartelização: US$ 6 bilhões. “O ministro estava interessado em saber de valores. O número que apresentamos é resultado da atuação da indústria, que reduziu o pagamento por caixa de 40,8 quilos de laranja da média histórica de US$ 4.50 para US$ 2.50”, explicou o presidente da Associtrus.
Para Viegas, ainda hoje existe um cartel entre as indústrias de suco de laranja, que pode ser percebido com a recente elevação do preço e da demanda pela laranja. O preço do fruto subiu acompanhando a disparada internacional do suco, motivada pela destruição dos pomares da Flórida por dois anos seguidos. “A prova de que existe cartel é que, mesmo em momentos de alta de preços e de demanda, a indústria não disputa mais o fornecimento dos citricultores, como ocorria até 15 anos atrás”, disse o presidente da Associtrus.
Acordo – Recentemente, por intercessão do Ministério Público Federal, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou acordo proposto pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), pelo qual as indústrias pagariam multa de R$ 100 milhões. Ainda segundo cláusula do acordo abortado, a secretaria se comprometia a devolver toda a documentação apreendida durante a Operação Fanta, sem sequer tomar conhecimento do seu conteúdo.