GM pode economizar R$ 143,5
milhões se romper com o cartel que controla o setor
de transporte
De São Paulo
09/04/2007
- A General Motors do
Brasil pode economizar R$ 143,5 milhões por ano caso
decida pela abertura de concorrência no setor de transporte
dos veículos fabricados nas três unidades do
País. O Ministério Público Federal,
a Justiça Federal, a Polícia Federal, a Secretaria
do Direito Econômico (SDE) e o Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade) já comprovaram a
existência do cartel que controla o setor de transporte
de veículos novos em todo o país, superfaturando
os valores cobrados de todas as montadoras, inclusive da
General Motors do Brasil. Recentemente uma decisão
da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, depois de
confirmar a existência do cartel, admitiu que há
empresas capacitadas no setor, que operam com valores até
50% inferiores aos cobrados pelas transportadoras associadas
à Associação Nacional das Empresas
Transportadoras de Veículos (ANTV).
A notícia ainda não deve ter chegado aos ouvidos
do executivo da General Motors do Brasil, José Eugênio
Pinheiro, que tem em uma de suas atribuições,
fazer a montadora ganhar dinheiro, segundo reportagem do
jornal Gazeta Mercantil, publicada na semana passada.
Caso os 410 mil veículos vendidos pela montadora
durante o ano de 2006 tivessem sido transportados por empresas
não vinculadas ao sistema ANTV, a General Motors
teria economizado o equivalente a R$ 12 milhões por
mês. O cálculo é baseado na diferença
de valores cobrados entre as atuais transportadoras (que
impedem o ingresso de novas) e as concorrentes, ao custo
unitário de R$ 350,00. Este valor é a redução
do frete cobrado pela empresa Julio Simões e as demais
integrantes do cartel, na planta de Gravataí.
Por determinação da Justiça Federal
do Rio Grande do Sul, a GM foi obrigada a contratar outra
transportadora para carregar 10% de sua produção.
A Julio Simões cobra R$ 380 para transportar um Celta
com destino a São Paulo, enquanto as outras cinco
cobram mais de R$ 730 por unidade. A GM continua entregando
90% da sua produção de Gravataí às
empresas acusadas de formação de cartel, rejeitando
uma economia da ordem de R$ 7 milhões por mês,
equivalente a R$ 84 milhões ao ano.
Ex-ferramenteiro – José Pinheiro,
58 anos, ao lado, de Pedro Manuchakian, na área de
engenharia, está na lista de brasileiros que comandam
a região da América Latina, África
e Oriente Médio, conhecida como LAAM da maior montadora
do mundo. Além do talento demonstrado, José
Pinheiro acaba de ser eleito para dirigir a manufatura da
LAAM pela complexidade que se traduz a operação
brasileira. Sob seu comando estão 24 mil pessoas
envolvidas com fábricas GM na região.
Um brasileiro de hábitos simples e sem meias-palavras,
José Eugênio Pinheiro, formado no Senai, acostumado
a ler desenho no papel, ferramenteiro de ofício,
físico de formação, fissurado em ‘exatas’
como se define, tem certamente como uma de suas grandes
atribuições fazer a GM do Brasil ganhar dinheiro,
não apenas o Brasil, mas também na LAAM.