Organização criminosa que atua no transporte impede GMB de economizar R$ 32,4 milhões
Do
Rio Grande do Sul
19/01/2007
- A organização criminosa que comanda o setor de transporte de veículos novos em todo o país, segundo comprovação feita pela Polícia Federal, afeta de forma velada a indústria automobilística, que se submete às suas ordens. Essa organização investigada pela PF, impôs também o alinhamento da unidade fabril da General Motors do Brasil de Gravataí-RS aos seus desmandos, sob a liderança do sindicam e das transportadoras acusadas de formação de cartel no setor.
Só no ano passado, por conta do superfaturamento nos preços dos fretes, a organização impediu a montadora de economizar cerca de R$ 32,4 milhões em 2006. A cada 30 dias, o prejuízo supera a marca dos R$ 2.7 milhões. Isso porque as cinco empresas – Brazul, Tegma, Transzero, Transauto e CTV – cobram pelo menos o dobro do que a última contratada por força judicial, a Júlio Simões.
Com a produção de aproximadamente 120 mil veículo por ano, a General Motors do Brasil em Gravataí foi obrigada pela Justiça Federal, a entregar 10% da produção a outra transportadora. Através de processo de cotação de preços dúbio – a montadora exigia grande experiência no transporte de veículos e acabou contratando uma empresa que nunca transportou veículo algum – a GMB contratou a gigante do lixo, a Julio Simões, que ofereceu preço 50% inferior aos praticados até hoje pelas transportadoras do cartel.
A Julio Simões ficou responsável pelo escoamento de 10% da produção de Celtas, enquanto as empresas vinculadas à organização criminosa até hoje, estão encarregadas de transportar 90% da produção a valores superfaturados, que são repassados automaticamente para o preço final do produto e, por conseqüência, aos consumidores da marca.
Ação – Por defender de maneira intransigente a destinação do transporte dos seus veículos aos cegonheiros filiados ao Sindicam e às transportadoras associadas à ANTV, a General Motors do Brasil amargou a posição de ré em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, atendendo a denúncia do Sindicato dos Cegonheiros gaúchos, o Sintravers, que atualmente está alinhado ao mesmo cartel.
Como desdobramento da ação civil, também foi ajuizada ação penal contra o diretor de assuntos institucionais da General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Junior, o presidente do Sindicam, Aliberto Alves e o ex-presidente da ANTV, Paulo Roberto Guedes. Os três foram condenados por crime contra a ordem econômica (formação de cartel). Houve apresentação de recurso, mas até hoje o processo não foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal.
Toyota – Grande recompensada economicamente pelo transporte da General Motors do Brasil, a Toyota que tem unidade na cidade de Guaíba-RS (ao lado de Porto Alegre) consegue transportar seus veículos a um preço 50% inferior ao pago pela General Motors, com pelo menos uma das transportadoras que prestam serviços à GMB. Em outras palavras, isso significa que a Toyota, transportando com a mesma empresa contratada pela General Motors, consegue pagar 50% do valor do frete.