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  Informativo Anticartel.com (001), 08 de janeiro de 2007.  
 

Cegonheiros gaúchos terão de usar a força para conquistar novas
vagas no transporte da GMB
Do Rio Grande do Sul

08/01/2007 - Só usando a força os 33 cegonheiros gaúchos associados ao Sintravers poderão conquistar o direito ao transporte de veículos produzidos pela General Motors do Brasil, em grande parte carregados pelas empresas acusadas de formação de cartel. Essa posição ficou clara durante a última assembléia realizada pela categoria. A colocação do uso da força (paralisar as atividades de transporte) foram atribuídas por alguns cegonheiros descontentes ao presidente, Jefferson de Souza Casagrande, que não confirmou a afirmação.
O líder sindical disse que a idéia da realização da assembléia foi para organizar o ingresso de novo grupo de cegonheiros associados ao sindicato, “quando houver a necessidade”. De acordo com Casagrande, isso vai depender do aumento da produção da General Motors do Brasil em sua unidade de Gravataí. “Na cotação de preços, está claro que a nova transportadora deverá contratar cegonheiros associados ao sintravers”, assegurou o presidente, mas a manifestação é contestada pelos cegonheiros descontentes. Segundo eles, se na cotação está garantida a contratação de associados ao Sintravers, porque o presidente disse que teríamos de “trancar as operações da nova transportadora escolhida?” indagam.
Casagrande acrescentou que não há o menor sinalizador a respeito de quando deverão ingressar novos cegonheiros filiados ao sindicato que dirige. “Não tem nada definido até agora. Não se sabe quando esse pessoal poderá ser chamado para trabalhar”, frisou ao mesmo tempo em que disse ter atualmente, 45 filiados ao Sintravers participando do transporte de Celtas.
Deste total, cinco (da diretoria, incluindo o presidente) estão transportando pelas empresas acusadas de formação de cartel e percebem valores de frete bem superiores aos demais 40 associados que estão agregados às empresas Julio Simões e Elta. Outro motivo que ajudou no descontentamento de alguns cegonheiros.
Também gerou contradição o fato de ter sido alertado, durante a assembléia, sobre a vida útil dos equipamentos a serem utilizados eventualmente. A exigência da montadora é de que o cavalos mecânicos tenham no máximo cinco anos de uso, enquanto as cegonhas, 10 anos. Mas alguns cegonheiros afirmam que inclusive dentre os associados ao Sintravers que participam atualmente no transporte, existem equipamentos bem mais velhos.
No mês passado, o presidente do Sintravers mostrava-se bem mais interado a respeito do andamento da cotação de preços da General Motors do Brasil (para o transporte destinado a Argentina), quando antecipou que duas empresas estariam automaticamente desclassificadas por terem como agregados, cegonheiros associados ao Sindicam. Agora, no entanto, afirma que “eles (a GMB) não abrem nada”.
Os cegonheiros descontentes, que pediram para não ter os nomes revelados, afirmam que saíram desolados da assembléia, uma vez que constataram não haver nada de concreto. “Foi uma assembléia para encher lingüiça, nada mais”, contaram. Eles estão à espera de oportunidade de trabalho desde o início da produção da GMB em Gravataí, quando o Sintravers fez a denúncia de formação de cartel que acabou gerando a ação civil pública contra a General Motors do Brasil, o diretor de assuntos institucionais Luiz Moan Yabiku Junior, o Sindicam e a ANTV.

Como desdobramento da denúncia do Sintravers, pelo menos três processos crimes foram instaurados. Um deles resultou na condenação, por formação de cartel e crimes contra a ordem econômica de Luiz Moan, de Aliberto Alves, presidente do Sindicam e de Paulo Roberto Guedes, ex-presidente da ANTV. O recurso ainda não chegou ao Tribunal Regional Federal. Um inquérito policial federal também está em andamento.


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