Cade
acata parecer do MPF e rejeita acordo
de R$ 100 milhões com processadoras de laranja
De
Brasília
30/11/2006
- O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
acatou por unanimidade parecer do Ministério Público
Federal e rejeitou proposta da Secretaria de Defesa Econômica
(SDE) que extinguiria processo contra empresas processadoras
de laranja. Segundo o acordo, Abecitrus (Associação
Brasileira dos Exportadores de Cítricos), Bascitrus,
Bambuhy Citrus, Cargill, Citrosuco Paulista, Citrovita,
Coinbra-Frutesp, CTM Citrus, Frutax, Montecitrus e Sucocítrico
Curale pagariam indenização de R$ 100 milhões
para evitar o prosseguimento de processo por formação
de cartel na compra de laranja junto a agricultores. As
empresas são acusadas de combinar preços e
evitar que produtores comercializem a fruta com outras empresas,
condutas descritas como infração e crime contra
a ordem econômica segundo as leis 8.884/94 e 8.137/90.
As processadoras de laranja já haviam sido acusadas
por formação de cartel em 1995. Na época,
elas assinaram Termo de Compromisso de Cessação
(TCC) em que se comprometiam a abandonar toda e qualquer
ação concertada na aquisição
da fruta dos produtores. Contudo, denúncia dos próprios
agricultores deu início a novas buscas, que identificaram
a continuidade da prática. Durante as investigações,
a SDE chegou a apreender documentos em papel e arquivos
de computadores nas empresas, a pedido da Advocacia-Geral
da União e com autorização de juízes
federais. Os documentos recolhidos nunca foram analisados
em razão de lliminar concedida pela Justiça
Federal de São Paulo em favor das acusadas.
Para o procurador regional da República José
Elaeres Teixeira, representante do MPF no Cade, "firmar
esse novo termo seria o mesmo que passar um atestado de
ingenuidade, como se acreditasse que um cartel dessa magnitude,
depois de atuar por mais de uma década, teria interrompido
sua ação motu proprio, como um ato de boa
vontade para com os produtores de laranja do Estado de São
Paulo".
A decisão unânime de sete conselheiros do Cade
seguiu integralmente o parecer do procurador José
Elaeres, pela rejeição do acordo. A SDE deve
agora seguir com as investigações contra o
cartel das processadoras de laranja. (Ascom PRR1/MPF)