Empresas
de manutenção predial são processadas
De
Brasília
20/11/2006
- A Secretaria de Direito Econômico (SDE), órgão
do ministério da Justiça instaurou na semana
passada processo administrativo por formação
de cartel contra nove empresas prestadoras de serviço
de manutenção predial, além de quatro
pessoas físicas.
As empresas Álamo Engenharia Sociedade Anônima,
Araújo Abreu Engenharia Sociedade Anônima,
Conbrás Engenharia Limitada, Eletrodata Engenharia,
Proen Engenharia e Manutenção Limitada, RMZ
Engenharia Elétrica Limitada, Emerson Sistemas de
Energia Limitada, Wechsel Limitada e W H Engenharia Limitada,
atuariam fixando preços e dividindo o mercado em
processos de contratação privada do serviço
de manutenção predial.
A investigação preliminar realizada pela SDE
indica que o cartel teria atuado em diversas regiões
do Brasil. Alguns dos acertos para fixar preços e
dividir mercados nas concorrências para manutenção
predial teriam ocorrido em pelo menos seis ocasiões,
entre os meses de janeiro e março de 2005, e em abril
de 2006. As reuniões teriam acontecido no escritório
da empresa Proen; na sede da empresa Wechsel; no Hotel Bristol,
em São Paulo; e na sede da empresa Proen, no Rio
de Janeiro. Antes e após essas reuniões, os
dirigentes das empresas também teriam mantido contatos
por telefone e e-mail. O acordo não se limitaria
a estabelecer qual a proposta deveria ser vencedora, por
região, mas também qual seria a ordem de classificação
de todos os participantes da concorrência.
A implementação dos acordos seria feita por
meio de mensagens eletrônicas trocadas entre os representantes
das empresas, contendo planilhas que estabeleciam os preços
que cada empresa apresentaria em cada rodada, bem como a
ordem de classificação de cada participante.
Alguns dos representantes das empresas teriam usado endereços
eletrônicos com nomes fictícios, criados especificamente
para esta finalidade.
Com o apoio da Polícia Federal, a SDE realizou, em
julho deste ano, operação de busca e apreensão
de documentos nas sedes de algumas das empresas investigadas
em São Paulo e no Rio de Janeiro. A busca foi feita
com autorização judicial e teve como objetivo
recolher documentos e dados que pudessem ajudar na investigação.
As empresas e pessoas físicas processadas serão
agora notificadas da decisão e terão 30 dias,
a partir da notificação, para apresentar defesa.
Ao final da investigação, a SDE enviará
ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
um parecer com as suas conclusões sugerindo ou não
a condenação dos envolvidos.