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  Informativo Anticartel.com (118), 13 de novembro de 2006.  
 

PF obtém quebra de sigilo de telefones
da Folha de S.Paulo
De São Paulo

13/11/2006 - Dois telefones da Folha de S.Paulo no Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados estão entre 800 linhas cujo sigilo foi quebrado com autorização judicial. A Polícia Federal tem em mãos o extrato de dois telefones – um celular e um fixo – utilizados por jornalistas da Folha de S.Paulo, que estão entre mais de 800 sigilos telefônicos quebrados com autorização judicial.
A área de inteligência da PF, que investiga a tentativa de compra por petistas de um dossiê contra políticos tucanos, achou necessário pedir a quebra dos sigilos desses números por ter encontrado grande quantidade de ligações em horários muito diferentes para Gedimar Passos.
Passos trabalhava no extinto núcleo de inteligência da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi preso no hotel Íbis, em São Paulo, com cerca de R$ 1,7 milhão. O dinheiro seria usado na tentativa de compra de um dossiê destinado a implicar políticos do PSDB com a máfia dos sanguessugas.
O telefone fixo fica no Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados. A assessoria de imprensa da PF não soube informar se o celular é usado, de fato, por um jornalista do periódico paulistano ou por outro funcionário da empresa.
A PF ressaltou que pediu a quebra de sigilo sem saber de quem eram os telefones e garante que o pedido feito à Justiça abrange todas as linhas com chamadas suspeitas feitas para o telefone de Gedimar Passos, ou para as quais o próprio Gedimar ligou.

Folha – O diretor jurídico da Folha de S.Paulo, Orlando Molina, classificou a quebra do sigilo telefônico de linhas do jornal em Brasília como "um monitoramento abusivo" do trabalho dos repórteres.
Segundo ele, a divulgação dos extratos das linhas "é uma violação do direito de sigilo da fonte". Molina disse que, na quinta (9), encaminharia uma petição à Justiça solicitando, com base na Lei de Imprensa e na Constituição, que os extratos dos telefones não sejam analisados.

Sindicato – Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Guto Camargo, a obrigação profissional do jornalista é telefonar para as fontes, e o fato de haver muitas ligações para o telefone de Gedimar Passos não é suficiente para justificar a quebra do sigilo.
"A PF precisa deixar bem claro os motivos de sua ação, para que não pairem dúvidas", afirmou.
Camargo disse não recriminar a ação da Polícia Federal, desde que seja legal. "Se a investigação estiver dentro da legalidade, não deve ser condenada porque é papel da Polícia Federal investigar", afirmou.

Veja – No último dia 31, a revista Veja acusou a Polícia Federal de cometer "abusos, constrangimentos e ameaças" contra três jornalistas da publicação convocados para prestar um depoimento em São Paulo.
Eles eram responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em uma suposta "operação abafa", destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da República, das investigações sobre o escândalo do dossiê.
Na ocasião, o delegado Moysés Eduardo Ferreira, da PF, encarregado do caso, negou que os jornalistas tivessem sido constrangidos e disse que os depoimentos transcorreram com normalidade. (Gustavo Tourinho e Mariana Oliveira, do G1 em Brasília e em São Paulo)

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