Empresário
mineiro indiciado pela Polícia Federal, recorre ao
MPF
para tentar reduzir possível pena
Do
Rio Grande do Sul
26/10/2006
- Um empresário mineiro (cujo nome é mantido
sob sigilo pelo website investigativo www.anticartel.com),
indiciado por formação de cartel e de quadrilha
no setor de transporte de veículos em inquérito
policial federal, recorreu ao Ministério Público
Federal, na tentativa de reduzir a possível condenação.
Instaurado em 2004, o inquérito corre em sigilo.
O relatório final comprovou o envolvimento do Sindicam
e da ANTV na formação de cartel. Vários
empresários do ramo de transportes de veículos
e líderes sindicais já foram indiciados, para
prestar contas à Justiça Federal.
A Associação Nacional dos Transportadores
de Veículos (ANTV) e o Sindicam são acusadas
de prática na formação de cartel na
prestação de serviços de transporte
de veículos novos em todo o Brasil. Em favorecimento
das empresas associadas às entidades, cobram valores
altos pelos fretes, utilizando tabelas uniformes, impedindo
a livre concorrência e a busca de um preço
justo para o consumidor.
Um dos indiciados, é aposentado, que afirmou estar
fora do mercado, há pelo menos seis anos. Ele se
disse surpreso com o indiciamento e negou qualquer envolvimento
com a máfia do cartel. Ao lembrar da época
empresarial, deu ênfase ao contratos firmados com
as principais fábricas de veículos do mundo,
dentre elas a Chevrolet, Toyota, Peugeot e a Citroën
mesmo a transportadora sendo de pequeno porte.
As negociações do preço dos fretes,
segundo ele, recebiam tratamento diferenciado de acordo
com o porte da empresa e da quantidade de veículos,
a serem transportados, mas não é o que a Justiça
Federal comprovou. Mesmo afirmando nunca ter tido qualquer
ligação com o Sindicam e ANTV e com os negócios
a todo vapor, resolveu vender a transportadora em 1999.
Curiosamente, a empresa em que garantiu ter vendido mantém
o site no ar e está na condição de
ativa. A empresa também é hoje uma das prestadoras
de serviços da Tegma Gestão Logística,
investigada por envolvimento no cartel, por praticar preços
de até 30% acima de mercado, em relação
às demais empresas do ramo. No mesmo inquérito,
a Polícia Federal também indiciou Fernando
Moreira, um dos diretores da Tegma, que chegou à
sede da autoridade policial de posse de salvo conduto.
Indiciado em setembro do ano passado, o empresário
(sob sigilo) optou pelo uso do seu direito constitucional,
de se manifestar somente em juízo. Se negou a prestar
qualquer esclarecimento à Polícia Federal.
Ele alegou desconhecer o teor das investigações.
Entretanto, neste mês, procurou espontaneamente o
Ministério Público Federal. O website investigativo
www.anticartel.com
apurou que o empresário tenta negociar uma espécie
de delação premiada, a fim de amenizar uma
futura pena por envolvimento na formação de
cartel e até formação de quadrilha,
segundo o teor do indiciamento proposto pela autoridade
policial federal que concluiu o inquérito.
Outro empresário que mudou de ramo no final da década
de 90 foi Roberto Franchini. Ele era o proprietáro
da empresa Transfer, que foi vendida para a Axis Sinimbu,
hoje conhecida como Tegma Gestão Logística.
A empresa criada em 1998 surgiu a partir da unificação
das três principais empresas brasileiras de logística,
a Transfer, Schalatter e a Sinimbu. Ela é atualmente
a responsável pelo transporte de 90% do Celtas, produzido
pela General Motors, em Gravataí.
O monopólio exercido pela ANTV, desde 2000, é
formado pelas empresas Sada Transportes e Armazenagens Ltda.,
Transzero Transportadora de Veículos, Brazul Transportes,
Dacunha Transportes, TNorte Transportadora Nordestina de
Veículos, Transauto, BF, CTV, Axis Sinimbu e Translor,
a qual, juntamente com o Sindicam - exerce interferência
e pressão sobre as montadoras e sobre qualquer empresa
independente que queira entrar no mercado. A ANTV tem alegado
na Justiça que está em extinção,
mas continua em franca atividade.
Franchini alegou não ter mais nenhuma participação
no mercado há seis anos, e que sempre praticou a
tabela de fretes autorizada pelas montadoras. Segundo ele,
nunca soube de qualquer tipo de benefício concedido
a uma empresa em específico. Mas questionado sobre
a troca do ramo (hoje ele transporta containers) frisou
ter sido prejudicado com o número limitado de transportadoras,
impostas pelas fábricas na época. “Estou
fora do circuito de transporte de veículos, não
sei de nada e pretendo continuar não sabendo”,
salientou.
Paralelo ao inquérito corre uma ação
civil pública ajuizada pelo Ministério Público
Federal (MPF) por formação de cartel contra
a General Motors do Brasil, o diretor de assuntos institucionais,
Luiz Moan Yabiku Júnior (já condenado junto
com Aliberto Alves, presidente do Sindicam e Paulo Roberto
Guedes, ex-presidente da ATNV em ação penal
recorrida), o Sindicam e a ANTV. (deniseoliveira@anticartel.com)