Justiça
manda Belgo Mineira retroagir a 1997
o preço dos vergalhões de aço
De
Minas Gerais
17/10/2006
- O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou
a liminar de primeiro grau, que determina à siderúrgica
Belgo Mineira, que deixe de praticar a oferta de preços
anticoncorrenciais para venda de vergalhões de aço,
sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O objetivo
da ação, movida pelo grupo Cobraço,
é o de garantir a compra, venda e o beneficiamento
de aço. A empresa também alegou formação
de cartel da Belgo com a Gerdau e a Siderúrgica Barra
Mansa (Grupo Votorantim).
A liminar da 22ª Vara Cível de Belo Horizonte,
obriga a Belgo a vender vergalhões ao preço
praticado em 1997, reajustado apenas pela inflação
do período. Outra alternativa seria vender os produtos
por preços idênticos aos das atuais transferências
dos vergalhões para suas filiais - iguais aos praticados
no mercado externo, o que seria um terço daqueles
estabelecidos pelas três empresas.
Desde 1997, o grupo Cobraço iniciou uma parceria
operacional com a Belgo Mineira. O acordo operacional permitia
que ambas as empresas, vendessem o aço diretamente
às construtoras, utilizando-se do serviço
de ferro pronto do grupo Cobraço. Pelo acordo, os
preços do aço para ferro pronto, que a Belgo
venderia para a Cobraço, deveriam permitir-lhe competitividade
necessária no seu segmento de atuação.
O grupo Cobraço, contudo, confirmou que a Belgo Mineira
teria passado a absorver a receita da Cobraço Comercial,
através da comercialização e distribuição
de vergalhões junto às construtoras, por preços
menores. A siderúrgica utilizava-se do sistema de
beneficiamento da Cobraço Serviços, tornando-se
concorrente da Cobraço Comercial. Esta concorrência
se deu também no fornecimento dos vergalhões
a preços muito superiores aos que oferecia aos seus
clientes diretos. Dessa forma, a siderúrgica teria
passado a dominar o mercado de beneficiamento e comercialização
de vergalhões, constituindo cartel.
Em setembro de 2005, o órgão de defesa econômica,
ao julgar processo aberto pela Secretaria de Direito Econômico
(SDE), vinculada ao ministério da Justiça,
condenou as três siderúrgicas por formação
de cartel no mercado de vergalhões de aço,
aplicando a elas multa de R$ 345 milhões.
Em agosto deste ano, a Justiça Federal no Distrito
Federal exigiu da Gerdau e da Belgo a apresentação
de fiança bancária de R$ 245 milhões
e R$ 75 milhões, respectivamente, para recorrer da
decisão do Cade. A denúncia contra as siderúrgicas
foi feita pelo Sindicato da Construção Civil
de São Paulo (Sinduscon) e pelo Sindicato de Imobiliárias
e Construtoras de São Paulo (Secovi) em setembro
de 2000. Conforme o advogado da Belgo, José Del Chiaro
a decisão está sendo contestada na Justiça.