SDE
pede condenação de frigoríficos e seus
dirigentes por formação de cartel
De
Brasília
30/08/2006
- A Secretaria de Direito Econômico (SDE) órgão
do ministério da Justiça pediu a condenação
de oito frigoríficos e 13 de seus dirigentes por
formação de cartel. A secretaria comprovou
que as empresas fixavam, em diversas regiões do país,
deságio sobre o preço a ser pago aos pecuaristas
na aquisição de gado bovino, matéria-prima
dos frigoríficos. Juntos, os frigoríficos
acusados de cartel são responsáveis pela aquisição
de quase 50% de todo o gado bovino destinado ao abate nos
estados de São Paulo e Goiás, duas das principais
praças brasileiras de abate.
Em 24 de janeiro de 2005, as empresas fizeram uma reunião
no Hotel St. Paul, em São José do Rio Preto/SP,
onde foi elaborada uma tabela de classificação
do gado bovino. A tabela tinha como objetivo uniformizar
os critérios de aquisição do gado por
meio de deságio no preço pago ao pecuarista
conforme o peso e características do animal.
A comprovação de que as empresas participaram
da reunião, elaboraram a tabela e de fato a utilizaram
tem como base não apenas a tabela encaminhada pela
Confederação Nacional da Agricultura (CNA)
em sua denúncia, mas também depoimentos de
testemunhas ouvidas pela SDE e documentos recolhidos durante
inspeção na sede de um dos frigoríficos.
A investigação comprovou ainda que reuniões
entre os concorrentes, como a de São José
do Rio Preto, eram comuns entre as empresas envolvidas e
já haviam ocorrido em ocasiões anteriores.
A SDE sugeriu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) a condenação das seguintes empresas:
Indústria e Comércio de Carnes Minerva, Frigorífico
Mataboi, Frigorífico Estrela D’Oeste, Marfrig
Frigoríficos e Comércio de Alimentos, Friboi,
Bertin, Frigol Comercial e Franco Fabril Alimentos.
Foi pedido o arquivamento do processo contra os frigoríficos
Boifran, Tatuibí e Bom Charque, que também
eram investigados no mesmo processo, por não se comprovar
a participação dessas empresas na reunião
em São José do Rio Preto ou efetivamente pela
utilização da tabela.
A decisão da SDE foi publicada no Diário Oficial
do dia 21. O processo, composto de mais de 3 mil páginas
de dados e documentos divididos em 14 volumes, será
agora encaminhado para o Cade para julgamento. Se condenadas,
as empresas poderão receber multas de 1% a 30% de
seu faturamento.
O frigorífico Independência e o proprietário
do Friboi, José Batista Júnior, serão
investigados em um novo processo administrativo iniciado
a partir de indícios coletados pelo Ministério
Público Federal do Mato Grosso, já divulgados
em audiência pública na Câmara dos Deputados.
(com assessoria de comunicação social da SDE)