SDE,
BC e SEAE de olho nas operações de cartões
De Brasília
01/08/2006
- A Secretaria de Direito Econômico – SDE –
do Ministério da Justiça, o Banco Central
do Brasil (BC) e a Secretaria de Acompanhamento Econômico
– Seae – do Ministério da Fazenda celebraram
recentemente, convênio de cooperação
técnica para elaborar análises e estudos sobre
a indústria de cartões de pagamento, com o
objetivo de tornar o setor mais eficiente. O convênio
formaliza a ação conjunta e coordenada dessas
entidades no sentido de, inicialmente, verificar a existência
de possíveis falhas de mercado. Como resultado dos
trabalhos conjuntos que realizarão, espera-se que
a indústria de cartões de pagamentos se torne
mais eficiente. Espera-se ainda que a indústria aumente
o grau de inovação no setor e que os ganhos
de eficiência também sejam repassados para
portadores de cartões e estabelecimentos comerciais.
A celebração do convênio com a SDE e
a Seae complementa outras ações do Banco Central
no âmbito do projeto de modernização
dos instrumentos de pagamento de varejo que vem sendo conduzido
pela instituição. Entre elas, figura a divulgação,
em maio de 2005, do Diagnóstico do Sistema de Pagamentos
de Varejo no Brasil e, em maio passado, do Adendo Estatístico
2005 e da Diretiva 1/2006. Nesses documentos, grande ênfase
foi dada a cada vez maior participação dos
cartões eletrônicos na composição
dos instrumentos de pagamentos utilizados no país.
Este projeto de modernização se assemelha
as iniciativas da mesma natureza desenvolvidas pelos bancos
centrais de vários países e busca promover
ainda mais o uso dos instrumentos eletrônicos de pagamento,
em substituição aos meios de pagamento em
papel, especialmente o cheque, cujos custos de processamento
e de liquidação são consideravelmente
maiores e, portanto, são menos eficientes.
A promoção de maior eficiência no segmento
de cartões de pagamento é atualmente preocupação
comum aos bancos centrais e aos órgãos de
defesa da concorrência dos principais países.
O Brasil já avançou muito no uso de instrumentos
eletrônicos de pagamento, pois, desconsiderados os
pagamentos efetuados em espécie (dinheiro vivo),
eles já respondem por cerca de 75% dos pagamentos
em operações de varejo, isto é, de
compra e venda de mercadorias e serviços, com destaque
para os cartões de pagamentos, as transferências
de crédito e os débitos diretos em conta.
Entre os instrumentos eletrônicos, o uso dos cartões
de pagamento apresenta uma evolução importante,
com crescimento médio, em quantidade de transações,
da ordem de 29% ao ano de 1999 a 2005. O aumento no uso
dos cartões de pagamento se reflete também
no volume financeiro transacionado anualmente, que passou
de R$ 40 bilhões em 1999 para R$ 167 bilhões
no ano passado.
Os trabalhos a serem desenvolvidos no âmbito do convênio
consistirão, num primeiro momento, na coleta e no
tratamento de informações e dados relacionados
à indústria de cartões de pagamento,
especialmente no que diz respeito aos credenciadores, aos
emissores e às bandeiras, bem como aos lojistas.
A partir dessas análises, o BC, a SDE e a Seae elaborarão
um relatório, que será oportunamente divulgado
e servirá para a proposição de eventuais
recomendações no sentido da aplicação
de medidas estruturais ou de condutas, visando o estabelecimento
de um ambiente competitivo no mercado. (gilson.n@anticartel.com)
com Assessoria da SDE.