Procurador
do Cade engaveta pedido de condenação da ANTV
e Sindicam por formação de cartel
De Brasília
20/07/2006
- O pedido de condenação do Sindicato dos Cegonheiros
de São Paulo – Sindicam – e da Associação
Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos –
ANTV – acusados de formação de cartel
no setor de transporte de veículos novos, feito pela
Secretaria do Direito Econômico – SDE –
completou ontem seis meses de sono profundo na gaveta do procurador
do Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica
- Artur Badin, à espera de um “parecer”.
O procurador havia assegurado ao website investigativo www.anticartel.com
que o documento estaria pronto no dia 17 de maio, mas até
agora continua no fundo da gaveta de Badin, que pediu à
secretária para avisar ao jornalista do site, que a
demora se dava pelo fato de a ANTV e o Sindicam (os representados)
pedirem sucessivas audiências. Das reuniões,
segundo Badin, também participa o relator designado
para o caso, Luís Fernando Schuartz.
O processo, que leva o número 08012.005669/2002-31
chegou ao Cade no dia 12 de janeiro deste ano. Sete dias depois,
às 14h48min foi encaminhado ao procurador Artur Badin
para parecer. De lá para cá, Sindicam e ANTV
tentam de todas as formas possíveis atrasar o andamento
do processo. E estão conseguindo. A coincidência
dos sobrenomes “Farina” envolvendo o advogado
do Sindicam, Laércio Farina e a presidente do Cade,
Elizabeth Maria Mercier Querido Farina seguramente não
está influenciando no sonolento andamento do parecer
a cargo do procurador Badin.
O website investigativo www.anticartel.com
apurou que no dia 15 de maio, o Supremo Tribunal Federal –
STF - encaminhou ao Cade, pedido de informações
sobre o processo. O caso pode ter vinculação
com o inquérito 2281 (tramita em segredo de justiça)
em que é indiciado novamente o deputado federal Vittorio
Medioli, dono do grupo Sada, acusado agora de crime contra
o sistema financeiro. O inquérito foi encaminhado na
segunda-feira para o Procurador Geral da República,
por determinação da presidente do STF, ministra
Ellen Gracie.
A SDE, que pediu a condenação das duas entidades
entregou o relatório final das investigações
mastigado. Todo o setor de transporte de veículos foi
dissecado pelos técnicos da secretaria que, a exemplo
do Cade, é vinculada ao ministério da Justiça.
No documento de 100 páginas, ficou comprovada a existência
do cartel e identificada a forma de atuação,
com prejuízos à economia brasileira a partir
de atitudes das duas entidades impedindo o acesso de novos
agentes no mercado. Os técnicos também se valeram
de informações constantes em inquérito
policial federal onde houve, inclusive, o monitoramento de
telefonemas trocados entre os principais cabeças do
cartel.
Em meados do mês passado, a juíza federal Eloy
Bernst Justo condenou o presidente do Sindicam, Aliberto Alves;
o ex-presidente da ANTV, Paulo Roberto Guedes e o diretor
de assuntos institucionais da General Motors do Brasil, Luiz
Moan Yabiku Junior, todos por formação de cartel.
Os três apresentaram recursos junto com o Ministério
Público Federal do Rio Grande do Sul, autor da ação
penal e de ação civil pública que tramitam
na Justiça Federal gaúcha. A íntegra
da sentença foi publicada com exclusividade pelo website
investigativo www.anticartel.com
no dia 28 de junho. (gilson.n@anticartel.com)