Valor
Econômico dá destaque para a formação
de cartel no setor de transporte de veículos novos
De São Paulo
13/07/2006
- A edição de ontem do jornal Valor Econômico
deu destaque à formação de cartel no
setor de transporte de veículos novos controlado em
todo o país pelo Sindicam (que é sindicato de
São Paulo e não nacional) e ANTV. O presidente
do sindicato, Aliberto Alves foi condenado pela Justiça
Federal do Rio Grande do Sul, junto com o ex-presidente da
ANTV, Paulo Roberto Guedes e o diretor de assuntos institucionais
da General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Junior, que
teve a pena convertida em pagamento de 150 salários
mínimos a uma entidade e à prestação
de serviços à comunidade. A notícia sobre
a decisão foi veiculada com exclusividade pelo website
investigativo www.anticartel.com
que também disponibilizou aos internautas, a íntegra
da sentença da juíza federal Eloy Bernst Justo,
no dia 28 de junho.
A seguir, republicamos a corajosa matéria do jornal
Valor Econômico para quem não teve a oportunidade
de aquirir o exemplar impresso ou não teve acesso à
home page do matutino. As matérias são de Paulo
Henrique de Souza e Marli Olmos, ambos de São Paulo.
Aproveite e saiba como se situa o mapa da mina, na ilustração.
SDE
vê cartel na distribuição de veículos
A Justiça Federal gaúcha condenou, em primeira
instância, no fim de junho, três pessoas por considerá-las
responsáveis por práticas de cartel no transporte
de veículos novos. Essa decisão dá início
a nova etapa de uma disputa que se arrasta há anos
e que levou o Ministério Público Federal (MPF)
do Rio Grande do Sul a apresentar denúncia à
Justiça federal. A Polícia Federal também
investiga o caso e, durante meses, quebrou o sigilo telefônico
de vários envolvidos.
Foram condenados o presidente do Sindican (Sindicato Nacional
dos Cegonheiros ), Aliberto Alves; o ex-presidente da Associação
Nacional dos Transportadores de Veículos (ANTV), Paulo
Guedes; e o diretor de assuntos institucionais da General
Motors, Luiz Moan Yabiku Júnior.
Eles são acusados pelo MPF de impedir que empresas
não associadas à ANTV e cegonheiros não
filiados ao Sindican participem do mercado de transporte de
automóveis novos das fábricas para as concessionárias
e portos. Testemunhas disseram, nos dois processos que correm
na Justiça Federal gaúcha, ter recebido ameaças
de pessoas ligadas às entidades caso não seguissem
as regras que regem esse mercado. Por meio da assessoria de
imprensa, a General Motors do Brasil informa que, como o caso
está na Justiça, se reserva o direito de não
fazer comentários. Paulo Guedes não foi encontrado.
A ANTV representa uma dezena de transportadoras de veículos
novos. Elas são remanescentes da chegada da indústria
automobilística em São Paulo, há cinco
décadas. Com a construção de novas fábricas
de carros no país, parte da produção
de veículos se deslocou do Sudeste no final da década
de 90. Mas o transporte continua quase todo sob comando do
mesmo grupo.
Há quatro anos, o MPF do Rio Grande do Sul encaminhou
uma denúncia à Secretaria de Direito Econômico
(SDE). Segundo o Ministério Público, a ANTV
concentra todo o transporte de automóveis no país
e o preço do frete cobrado pelas transportadoras seria
maior do que o praticado por transportadoras independentes.
Em janeiro deste ano, a SDE recomendou ao Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade) multar a ANTV e o Sindican
por infração à ordem econômica,
mas não viu "qualquer evidência" de
que a General Motors tivesse praticado alguma infração
à ordem econômica. A SDE instaurou um processo
administrativo incluindo outras montadoras. O processo foi
enviado ao Cade em janeiro, mas ainda não chegou às
mãos do relator designado, Luis Fernando Schuartz.
Não há prazo definido para o julgamento.
O parecer da SDE atesta a existência do cartel: "Trata-se
de um mercado em que certos atores privados apresentam-se,
notoriamente, como verdadeiros agentes reguladores de mercado,
como se tivessem prerrogativas de controlar preços,
oferta, entrada e saída do mercado. Porém, a
ausência de qualquer autorização legal
ou constitucional para tanto não deixa dúvidas
de que os representados (ANTV e Sindican) prejudicam a coletividade
ao violar a lei e os princípios constitucionais da
livre iniciativa, livre concorrência, função
social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão
ao abuso do poder econômico."
Uma das denúncias é a existência de um
esquema de venda de vagas para novos caminhoneiros. Quem quiser
participar do negócio tem que pagar um tipo de pedágio
que varia de R$ 300 mil a R$ 1 milhão. Antônio
Luiz Neto, ex-consultor técnico da Catlog, que prestava
serviços de logística para a Renault, disse
à SDE que o Sindicam e ANTV cobravam "pedágio"
dos caminhoneiros.
Segundo a SDE, "a forte atuação dos cartéis
que dominam há anos esses elos da cadeia vertical,
liderados pelos representados (ANTV e Sindicam), que atuam
gerando prejuízos às montadoras sempre que estas
tentam escolher empresas que não participam desses
cartéis, tem desestimulado uma atuação
mais incisiva para a abertura do mercado de transportes por
iniciativa das montadoras."
No centro da disputa está o empresário e deputado
federal Vittorio Medioli (PV-MG). Segundo fontes citadas nos
processos e ouvidas pelo Valor, Medioli, proprietário
da transportadora Sada, foi aos poucos ampliando seu grupo
ao comprar boa parte das demais empresas que formam a ANTV.
Ele teve o cuidado de manter a identidade jurídica
de cada empresa para não chamar atenção.
O diretor jurídico do grupo Sada, Luis Tito, negou
a informação e disse que o grupo é composto
por duas empresas, Sada e DaCunha.
Nas montadoras, fontes informam que a centralização
de comando é um "assunto engasgado", mas
ninguém quer falar. Os concessionários sentem
certo alívio por não serem mais os responsáveis
pela contratação do serviço de transporte.
Um executivo que não quer ser identificado relata a
vez em que recebeu telefonema anônimo ameaçador.
A pessoa que ligou aconselhou-o a tomar cuidado nas suas atitudes
para preservar a integridade da esposa e filhos.
Justiça Federal condena denunciados pelo MP
A primeira derrota da ANTV e do Sindican ocorreu no fim do
mês passado, com a condenação, em primeira
instância, do dirigente do Sindican, do ex-presidente
da ANTV e do diretor de assuntos institucionais da General
Motors do Brasil.
A sentença, por crimes contra a ordem econômica,
foi dada pela juíza federal Eloy Bernst Justo, da 3ª
Vara Federal Criminal de Porto Alegre. Os réus podem
recorrer.
Um outro processo contra as mesmas pessoas, esse na área
cível, ainda aguarda julgamento na 6ª Vara Federal
da Capital gaúcha. Ambos foram originados por uma ação
civil pública promovida pelo Ministério Público
Federal, em 2002, que acusa de formação de cartel
o diretor da GM e os presidentes da ANTV e do Sindican.
As entidades e a empresa foram acusadas de impedir que transportadoras
não associadas à ANTV e caminhoneiros autônomos
não filiados ao Sindican transportassem os automóveis
montados na fábrica da GM de Gravataí (RS).
Na sentença, a juíza citou trechos de vários
depoimentos para demonstrar que a ANTV e o Sindican acertavam
o preço do frete em nível nacional e impediam
que as montadoras contratassem transportadoras e cegonheiros
não filiados às entidades.
Luiz Felipe Laitano, dono de uma concessionária Renault
em Novo Hamburgo (RS), disse em depoimento que a Axis Sinimbu
cobrava R$ 450 para transportar um veículo de Curitiba
até aquela cidade gaúcha - um percurso de mais
ou menos 600 quilômetros. Já da filial, em Novo
Hamburgo, até Pelotas (RS) - cerca de 100 quilômetros
- a Transgabardo cobrava R$ 100. Segundo ele, a qualidade
dos serviços das duas transportadoras é a mesma,
mas a concessionária não pode escolher a transportadora
para tirar os carros da fábrica.
Valmor Scapini, proprietário de concessionárias
Mitsubishi em Lajeado e Caxias do Sul (RS), disse que o frete
de um veículo novo da fábrica em Catalão
(GO) até as cidades gaúchas custava R$ 1,1 mil
pelas transportadoras filiadas à ANTV e que custaria
até 40% menos se fosse feito diretamente por sua própria
transportadora, mas disse ser impedido pela ANTV. "Ficou
claro que o Sindican e a ANTV são os responsáveis
pela fixação do preço do frete nacional
do carro novo, impondo às empresas associadas à
ANTV que se guiem pela tabela por eles lançada",
escreveu a juíza Justo.
Ela também citou depoimentos que denunciaram a venda
de vagas no Sindican. O caminhoneiro Geraldo Nicolli Júnior
contou em juízo que "as empresas de transportes
rodoviários que queiram ingressar na ANTV ou no Sindican
a fim de obter uma vaga na linha nacional precisam reembolsar
a quantia de R$ 600 mil a um carreteiro filiado ao Sindican,
que é agregado às empresas associadas à
ANTV, desde que o Sindican e a ANTV aceitem essa outra pessoa."
Outra testemunha no processo, Jefferson de Souza Casagrande,
disse que uma vaga poderia custar até R$ 1 milhão.
Informação semelhante o Valor ouviu de várias
outras fontes do setor que, por motivo de segurança,
só falam sob condição de anonimato. "É
induvidoso, portanto, a existência de cartelização
no setor de transporte de veículos novos, na medida
em que a ANTV e o Sindican exercem o monopólio do mercado",
sentenciou a juíza.
Ela reproduziu também uma correspondência enviada
por Aliberto Alves à ANTV, em setembro de 1996, na
qual informava que os associados do sindicato não mais
transportariam carros importados com frete menor do que os
nacionais. A informação estaria de acordo com
o que relatara o empresário Sérgio Gabardo,
dono da Transgabardo, de que era obrigado a cobrar os preços
fixados na tabela da ANTV quando transportava veículos
importados da Renault, "caso contrário, haveria
conseqüências drásticas à sua empresa,
inclusive a exclusão do mercado". "Claro
está que a aplicação de reprimendas e
punições àqueles que tentassem ganhar
mercado praticando fretes com valores mais baixos visava a
garantir a fixação da tabela e manter o monopólio
do transporte de veículos nas mãos das empresas
associadas", concluiu a juíza.
Ela citou várias ameaças recebidas por caminhoneiros
e empresas que tentaram transportar veículos novos:
"ameaças pessoais àqueles que tentam romper
com o mercado estabelecido, quebradeira e incêndio em
cegonhas de fora do cartel", mas salientou que a autoria
não foi provada nem sua ligação com o
Sindican e ANTV. A testemunha Roberto Costa de Carvalho relatou
ter sido ameaçado por Aliberto Alves e por Miguel Campos,
diretor da Sada, a maior transportadora filiada à ANTV,
que pertence ao deputado federal Vittorio Medioli (PV-MG).
Segundo relato da juíza, ambos teriam dito a Carvalho
"que ele estaria morto". As ameaças, segundo
Carvalho, tinham o objetivo de afastá-lo da Cooptravers,
a cooperativa de transportadoras do Rio Grande do Sul, formada
para pleitear participação no transporte de
veículo da fábrica de GM de Gravataí.
Já Luiz Moan Yabiku Júnior foi responsabilizado
por não abrir o transporte para empresas de fora da
ANTV. Os acusados alegaram que o transporte de carros novos
é muito especializado, requerendo conhecimentos de
logística, o que seria garantido pelas empresas da
ANTV. O advogado Nei Fayet Júnior disse que não
há nenhuma prova da participação de Aliberto
Alves nos fatos descritos no processo e que vai recorrer da
decisão. "Não existe prova de suposto cartel.
Esperamos modificar a sentença em segundo grau."
O advogado da ANTV, Salo de Carvalho, não foi localizado
e o diretor da GM não quis se manifestar. (PHS)
Peugeot
foge à regra e diversifica transporte
Quando decidiu instalar uma fábrica de automóveis
em Porto Real (RJ), em 2001, o grupo francês PSA Peugeot
Citroën trouxe a sua própria companhia de logística,
a Gefco. Ao perceber as dimensões continentais do país,
a Gefco concluiu que uma boa distribuição dos
carros requeria a contratação de transportadoras
de diversas regiões do país.
Dessa maneira, os franceses acabaram rompendo o jogo que favorecia
somente o grupo ligado à Associação Nacional
das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), embora
a maior parte das transportadoras contratadas pela Gefco sejam
associadas à ANTV.
O presidente da Gefco no Brasil, Jean-Noel Gérard,
explica que a empresa conta hoje com seis transportadoras
e a possibilidade de ter essa estrutura espalhada facilita
a distribuição de veículos no país.
Apesar da descentralização na produção
de veículos, o comando da maior parte do transporte
dos carros é feito por empresas que surgiram no ABC,
berço da indústria automobilística. Em
Camaçari, na Bahia, onde há uma fábrica
da Ford, as "cegonhas" do ABC levam até os
carros exportados. Isso significa um percurso de 30 quilômetros,
distância que separa a linha de montagem do porto baiano.
Represálias regem boa parte das regras nesse setor.
Em primeiro lugar, todo o transporte de automóveis
no país tem que ser feito por via terrestre. Montadoras
que tentaram utilizar cabotagem do Sudeste para o Nordeste
tiveram carros apedrejados tempos atrás.
No fim dos anos 90, carretas foram incendiadas defronte da
Ford, em São Bernardo do Campo, depois que a montadora
decidiu contratar empresas que não pertenciam ao grupo
da ANTV. (MO)
Frete único favorece produção
fora do Sudeste
O brasileiro nem se lembra mais que, até quatro anos
atrás, quando comprava um carro zero-quilômetro
o preço do frete vinha discriminado na nota fiscal.
O valor variava de acordo com a distância entre a fábrica
e a concessionária. No último ano do segundo
mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, as montadoras
conseguiram convencer o governo a mudar a legislação
tributária, que serviu de porta à criação
do frete único, válido para todo o país.
Para criar o preço único para o transporte de
automóveis, o governo excluiu o frete da cobrança
de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide
sobre o valor do carro. Assim, o pagamento do transporte,
feito até então pelo concessionário,
ficou a cargo dos fabricante de veículos.
A mudança ocorreu depois de pressão das montadoras.
Essas empresas haviam construído novas fábricas
fora da região Sudeste, onde se concentra mais da metade
do mercado de carros. Caso a regra antiga fosse mantida, os
carros fabricados fora do Sudeste chegariam a essa região
custando mais caros que os similares produzidos em São
Paulo e Minas Gerais.
A General Motors, que acabava de inaugurar a fábrica
do Celta em Gravataí (RS), foi a que demonstrou mais
empenho na mudança e teve grande participação
nas negociações com o governo. A nova legislação
levou alguns meses para entrar em vigor devido às discussões
dos fabricantes com as transportadoras.
Antes da mudança, em 2002, o custo do transporte variava
de R$ 100 a R$ 2 mil. No caso de um modelo popular vendido
no Nordeste, o frete chegava a representar 10% do valor do
veículo, o que na época, representava quase
R$ 2 mil. Essas regiões acabaram levando vantagem com
a criação do frete único.
O comprador do automóvel pagava o preço do transporte
à parte para o concessionário, que o repassava
à transportadora. O revendedor podia ganhar dinheiro
com isso. Principalmente em épocas de alta demanda,
muitos brasileiros desconhecem que chegaram a pagar, a título
de frete, valores acima do que foi acordado entre o concessionário
e a transportadora.
"Às vezes concedíamos o desconto no preço
de um carro para o cliente e depois embutíamos a diferença
no valor do frete", conta um revendedor de automóveis
que não quis se identificar.
Na época, as montadoras disseram que o frete único
ficaria em torno de R$ 600. Atualmente, elas não revelam
quanto pagam e o consumidor não sabe quanto está
pagando, pois o valor está incluído no preço
final do carro. As montadoras sempre argumentaram que o preço
do transporte também não está discriminado
em nenhum outro produto de consumo.
Antes da mudança na legislação, cabia
ao concessionário acertar a conta do transporte. Mas
era o fabricante do carro quem determinava a transportadora.
Concessionários contam que as montadoras não
aceitavam sugestões de mudanças. Os empresários
do setor lembram o caso de um revendedor do Norte do país
que chegou a mandar uma carreta própria, contrariando
determinação do fabricante.
Na época, greves dos chamados "cegonheiros"
eram freqüentes. Nos bastidores do setor automotivo comenta-se
que o raciocínio da categoria era: "Se o concessionário
consegue cobrar mais do consumidor, ele pode nos repassar
qualquer reajuste". (MO)
Advogado
diz que há "absurdos" no processo
O advogado do Sindican, Laércio Farina, vê "absurdos"
tanto nos processos na Justiça quanto no parecer da
SDE. Argumenta que só podem formar cartel empresas
concorrentes, nunca um sindicato de trabalhadores e uma associação
de transportadoras. Na avaliação dele, a caracterização
de cartel só é possível de forma horizontal,
ou seja, entre empresas com mesma posição no
mercado, e não entre elos da mesma cadeia produtiva,
como é o caso de montadoras, transportadoras e caminhoneiros
que transportam os veículos.
Farina comentou que a denúncia do MPF é baseada
em testemunhas com interesse na questão, principalmente
o dono da Transgabardo, Sérgio Gabardo, principal opositor
da ANTV e do Sindican. "Toda a conclusão da SDE
é em cima de depoimentos de interessados no processo.
As testemunhas isentas não foram consideradas."
Segundo ele, Gabardo aparece 90 vezes no parecer da SDE.
O advogado também considera "normal" a venda
de vagas para caminhoneiros que queiram transportar carros
novos. "Como há um número limitado, elas
ganham um valor econômico." Ele diz que cerca de
"três centenas" de novos caminhoneiros se
filiaram ao Sindican nos últimos quatro anos. Mas Gabardo
diz que os caminhoneiros gaúchos tentam, em vão,
se filiar ao Sindican desde 2002. (PHS)
Nota
da Redação
Embora tenha sido o primeiro canal de comunicação
do Brasil a divulgar (28.06) a notícia das condenações,
o website investigativo www.anticartel.com
está reproduzindo a matéria veiculada pelo jornal
Valor Econômico, em função da veracidade
dos fatos e da coragem com que o assunto - omitido vergonhosa
e covardemente pela chamada grande mídia, aquecida
pelas verbas milionárias dos comerciais, em especial
as redes de televisão - foi tratado.
A matéria traz como ilustração, o mapa
do Brasil e a rede de concessionárias de veículos.
Se for feita uma pesquisa para descobrir os nomes de alguns
proprietários, surgirá outro vespeiro.
Cabe comentar: quem não quer falar como a GMB e Luiz
Moan, é simplesmente porque não tem o que dizer.
A Justiça já disse tudo. Quanto mais falarem,
mais se comprometem porque são coniventes em alto grau
com as ações criminosas do cartel. Pior: no
caso de Moan, defendeu de unhas e dentes as empresas associadas
à ANTV. Disse para o governo gaúcho que a GM
só contratava associadas à ANTV e também
repetiu isso em juízo.
Quanto às colocações feitas pelo advogado
Laércio Farina (coincidentemente tem o mesmo sobrenome
da presidente do CADE) são pura e simplesmente ridículas
e esperadas porque partem de um advogado que teve o seu cliente
(Sindicam) massacrado, desmascarado. E vem mais condenações
por aí. A matéria do Valor Econômico ajuda
a mostrar que concessionários e até montadoras
temem as ações criminosas colocadas em prática
por integrantes do Sindicam, até hoje impunes. (ivenscarus@anticartel.com)