:::  www.anticartel.com :::
  Informativo Anticartel.com (059), 11 de julho de 2006.  
 

Presidente do Sintravers revela ter sido seqüestrado pelo cartel, que queima carretas, atira em motoristas e faz ameaças de morte
De São Paulo

11/07/2006 - O presidente do Sindicato dos Cegonheiros Autônomos do Rio Grande do Sul – Sintravers – Jefferson de Souza Casagrande revelou a juíza federal Eloy Bernst Justo, magistrada que condenou Luiz Moan Yabiku Junior, diretor de assuntos institucionais da General Motors do Brasil; Aliberto Alves, presidente do Sindicam – Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo – e Paulo Roberto Guedes, ex-presidente da ANTV por formação de cartel, que chegou a ser seqüestrado em São Paulo supostamente por integrantes do cartel. Parte do conteúdo do depoimento do líder sindical só veio à tona depois da publicação da sentença condenatória porque o processo estava sob segredo de justiça.
Casagrande contou em juízo, segundo relato da juíza federal, que depois de descarregar os veículos da marca Kia, na via Dutra, foi parado por “duas camionetas com gente fortemente armada. Me levaram de volta com dois elementos na cabina e queriam que eu ficasse no pátio das transportadoras. Com medo de acontecer uma tragédia comigo, fiquei lá dentro da empresa, sitiado. Desengataram a minha carreta, apedrejaram o meu cavalo-mecânico... é um medo, um pavor que bate na gente, que não tem explicação. São muitas pessoas que estão lá para agir de forma truculenta”, afirmou o carreteiro.
Em outra parte do depoimento, o presidente do Sintravers deixou claro que os carreteiros não integrantes do cartel controlado pelo Sindicam e ANTV, estão sofrendo pressões, ameaças, inclusive de morte por telefone. “A gente está com muito medo. Eles estão botando fogo em caminhões, estão atirando em motoristas, e as coisas estão acontecendo dia após dia”. Ele recordou que o empresário dono da Transtana, em São Paulo, teve sua residência atacada pelo lançamento de duas granadas, uma delas no escritório da transportadora.
Ainda de acordo com o depoimento de Casagrande, dado em juízo, “todos os carreteiros envolvidos com transporte de veículos, que não fazem parte do circuito (Sindicam e ANTV) estão sendo ameaçados. Todos, sem exceção. Pára num posto, param quatro ou cinco carreteiros da ANTV ameaçando: vocês não fazem, vocês fiquem na de vocês, isso vai ficar feio. Este tipo de ameaça a gente está sofrendo todos os dias. Este é o meu medo, que a gente saia daqui hoje, e amanhã volte para casa dentro de um caixão”, frisou.
O cegonheiro também disse à juíza Eloy, que “o transporte de veículos está nas mãos da ANTV e do Sindicam. Então, a gente sempre teve muita dificuldade de fazer qualquer tipo de transporte que não fosse veículos usados e de uma marca que não interessava aos grandes grupos”. Segundo Casagrande, quando houve o interesse de que a gente entrasse em uma montadora do porte da General Motors do Brasil, “eles se insurgiram contra isso para não perder o cartel, para que não se abrisse o mercado. Inclusive, o senhor Aliberto” (condenado por formação de cartel) prosseguiu o presidente do Sintravers, “num encontro que a gente teve em um hotel em Gravataí, no dia 30 de janeiro de 2003, disse que era para a gente cuidar o que tinha para não perder”.
Ao encerrar o depoimento, Casagrande confirmou a informação dada por Geraldo Nicolli Júnior: “Um carreteiro hoje para fazer parte desse circuito tem de comprar uma vaga... à venda por R$ 500 mil, R$ 600 mil, até R$ 1 milhão o valor de uma vaga... de carreteiro ligado a uma empresa da ANTV... desde que passe pela anuência da transportadora e do Sindicam, essa pessoa que vai entrar no transporte... As vagas são restritas àqueles associados”.
Para a juíza Eloy Justo, as provas nos autos demonstram ainda que o cegonheiro avulso que quisesse participar do mercado seria obrigado a “comprar vaga” de um carreteiro agregado ás empresas associadas e filiado ao Sindicam. É o que contou a testemunha: “As empresas de transporte rodoviário que queiram ingressar na ANTV ou no Sindicam a fim de obter uma vaga na linha nacional, precisam reembolsar a quantia de R$ 600 mil a um carreteiro filiado ao Sindicam, que é agregado às empresas associadas à ANTV, desde que o Sindicam e a ANTV aceitem essa outra pessoa”. Essa informação foi ratificada pela testemunha Jefferson de Souza Casagrande, esclarece a magistrada.
Atualmente, o presidente do Sintravers transporta para a empresa Brazul, uma das integrantes do sistema ANTV/Sindicam. (marileide.q@anticartel.com)

imprime a página atual...
 

Algo como você nunca viu...
:: Sucursais em Implantação ::
*Salvador (BA) *Anápolis (GO) *Belo Horizonte (MG)
*Betim (MG) *Brasília (DF) *Camaçari (BA)
*Curitiba (PR) *Goiânia (GO) *Gravataí (RS)
*Porto Alegre (RS) *Porto Real (RJ) *São Paulo (SP)
*São Bernardo do Campo (SP)  
*São José dos Pinhais (PR)  
*Rio de Janeiro (RJ) Redação - NOSSO EXPEDIENTE
Copyright © ANTI-CARTEL         Contato       Expediente        Designed by ANTI-CARTEL