Juíza
Eloy toma decisão corajosa. Nota nove!
Do Rio Grande do Sul
03/07/2006
- A juíza Eloy Bernst Justo, titular da 3ª Vara
Criminal da Justiça Federal de Porto Alegre no Rio
Grande do Sul tomou uma decisão corajosa ao condenar
por formação de cartel, três das cabeças
desse sistema danoso à sociedade brasileira. Foi perfeita.
Contundente. Não deixou qualquer margem para dúvida.
Só pecou, no meu entender, ao ter permitido que os
condenados Aliberto Alves e Paulo Roberto Guedes recorressem
em liberdade. Deveriam cumprir as penas em regime semiaberto
imediatamente.
A magistrada pegou o fio da meada. Massacrou os integrantes
dos cartel porque ficou convencida de que eles trabalham de
maneira criminosa para garantir a sua participação
no mercado de transporte de veículos novos e de modo
a impedir o ingresso de novos agentes, além de promoverem
a exclusão de outros, sumariamente. E para isso usam
sim, de meios nada ortodoxos, como assegurou um dos diretores
da Volkswagen do Brasil.
Ao embasar sua sentença que incluiu como outro condenado
o diretor de assuntos institucionais da General Motors do
Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior, porque sempre defendeu
transportadores associados à ANTV como condição
primordial para entregar parte do transporte dos veículos
fabricados pela montadora norte-americana, Eloy foi brilhante
ao deixar claro seu convencimento de todos os crimes praticados
pelo primeiro grupo condenado por crimes contra a ordem econômica.
E a luta também enfrentada pela magistrada contra esse
poderoso trio, não foi fácil. Esse trio tentou
de tudo. Até quis dizer que a Justiça Federal
não seria competente para julgá-lo, imaginem,
porque os crimes teriam sido praticados num único Estado,
em São Paulo. Mal-intencionados. Os mal-feitores esbarraram
na competência dessa juíza, que exigiu os antecedentes
dos elementos e chegou á conclusão de que Aliberto
Alves tem algumas pendengas pelas bandas de São Paulo.
Nenhuma condenação, mas... quer dizer: até
o dia 19 de junho, quando foi condenado pela Justiça
Federal do Rio Grande do Sul.
E quem teve a oportunidade de ler a íntegra da sentença
da corajosa juíza Eloy, entende o motivo das condenações.
Quem ainda não leu, pode acessá-la no site www.anticartel.com.
E esta é a primeira. Certamente outras virão
envolvendo mais caciques do setor de transporte de veículos
que até pouco tempo atrás, se julgavam acima
da lei, da ordem e do estado democrático de direito.
Finalmente a Justiça começou a botar as mãos
sobre esse pessoal que tanto prejuízo tem causado a
empresas, cegonheiros autônomos que desejam trabalhar
e aos consumidores. Não foi pouco o que eles subtraíram
do bolso de quem comprou um carro novo e pagou o dobro do
frete.
O Ministério Público Federal, autor da ação,
calculou que o prejuízo por conta do superfaturamento
nos preços dos fretes, principalmente pela falta de
concorrência, nos últimos cinco anos passou dos
R$ 7 bilhões. Isso não é pouca coisa.
Também está nas mãos da corajosa juíza
Eloy Bernst Justo outro processo que contou com ampla e profunda
investigação da Polícia Federal. E quando
chegar a hora da sentença, saiam da frente, porque
mais gente será condenada. E Aliberto Alves está
novamente na alça de mira da Justiça Federal.
Agora só falta a decisão do juiz Altair Gregório,
titular da 6ª Vara Cível da Justiça Federal
de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde está a
Ação Civil Pública movida pelo Ministério
Público Federal contra a General Motors, Luiz Moan,
o Sindicam e a ANTV. Lá, o pessoal do cartel não
mede esforços em tentar enganar o juízo. Quando
ele decidiu e se convencer de que estão tentando aplicar.....
E tem mais: está na hora do procurador do Cade, Arthur
Badin dar o parecer sobre o pedido de condenação
do Sindicam e da ANTV por formação de cartel,
feito pela SDE. Há mais de cinco meses o processo está
na sua gaveta.
Enfim, só por ter facultado a dois dos réus
recorrer em liberdade, a juíza Eloy não recebe
nota 10 por sua decisão. Mas, repito, condenar o diretor
de uma montadora de veículos neste país, não
é tarefa fácil.
Parabéns, doutora Eloy Bernst Justo.
Espero que outras autoridades se espelhem no seu alto espírito
profissional de magistrada cumpridora do seu dever, para tomar
decisões corajosas e sérias como a sua, e teremos
um país um pouco mais sério.
Ivens Carús – Editor (ivenscarus@anticartel.com)