Pedido
de condenação da ANTV e Sindicam adormece no
Cade.
São
144 dias à espera de um parecer
Do
Brasília
13/06/2006
- É por isso que a sociedade brasileira não
acredita mais nos poderes constituídos. Exemplo clássico
é o pedido de condenação da ANTV (Associação
Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos)
e do Sindicam (Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo,
que se intitula nacional) por formação de cartel,
feito pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) em
representação protocolada pelo Ministério
Público Federal há pelo menos quatro anos, que
está adormecido na procuradoria do órgão
desde 19 de janeiro deste ano. O procurador Arthur Badin que
havia anunciado ao site www.anticartel.com
que até o dia 17 de maio entregaria o parecer, ainda
não cumpriu com o prometido, apesar de a SDE ter entregue
o relatório final praticamente mastigado, com o resultado
das investigações que não deixa qualquer
dúvida sobre a formação de cartel sob
o controle das duas entidades representadas.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade),
que tem na presidência Elizabeth Farina, cujo sobrenome
é coincidentemente o mesmo do advogado que defende
o Sindicam, Laércio Nilton Farina, parece não
ter a menor pressa para definir a questão que envolve
o cartel no setor de transporte de veículos novos.
A sociedade espera. O conselheiro que recebeu a matéria
é Luís Fernando Schuartz que, segundo o procurador
Badin, tem acompanhado os inúmeros pedidos de audiência
feitos pelas representadas (ANTV e Sindicam). Isso, ainda
de acordo com o procurador, é o principal motivo que
tem levado ao atrasado na emissão do parecer.
De acordo com os dados constantes na internet, no dia 22 de
março, a empresa Transilva Transportes e Logística
protocolou petição. No dia 15 de maio, o Supremo
Tribunal Federal (STF) requereu pedido de informações
sobre o processo (que pode ter ligação com o
novo indiciamento do deputado federal Vittorio Medioli, ex-presidente
da ANTV e proprietário do grupo Sada). No dia 16 de
maio, o Sindicam ingressou com manifestação
e no dia cinco deste mês, foi a vez da ANTV requerer
informações.
O relatório final da SDE é rico nos detalhes.
Contém inclusive a conclusão do delegado da
Polícia Federal que presidiu o longo inquérito,
depois de grampear por 23 meses os telefones do diretor da
Brazul, Gilberto Santos Portugal (que mandou comprar um site
que incomodava o cartel) Roberto Augusto Francisco (ex-presidente
do Sindicam), Aliberto Alves, presidente do Sindicam e Otacilio
Abner Miranda Pacheco, o Cabralzinho, presidente do Sindicato
dos Cegonheiros de Minas Gerais. O documento da secretaria
também revela as relações íntimas
entre dirigentes do Sindicam e da ANTV, apesar de essa última
entidade tentar transmitir a idéia de que se encontra
em extinção. O envolvimento de cegonheiros ligados
ao Sindicam nos atentados ocorridos contra cegonhas carregadas
de Peugeot foi comprovado pela autoridade policial. A SDE
concluiu ainda, que houve descumprimento por parte das representadas
da Medida Preventiva adotada, embora a secretaria não
tivesse a coragem de aplicar a multa que ela mesma havia fixado
em caso de desobediência.
Para emitir o parecer, basta o procurador do Cade ler atentamente
o relatório final da SDE e o seu aparato confidencial.
A própria secretaria argumenta não haver necessidade
da produção de novas provas. (gilson.n@anticartel.com)