GM
acusa cegonheiros gaúchos de atos violentos e de
quererem cobrar frete mais caro que o do cartel
De
São Paulo
08/06/2006
- A General Motors do Brasil, que vem protagonizando uma série
de trapalhadas na ação civil pública
em que é ré, acusada de conivência com
a prática de cartel no setor de transporte de veículos,
apresentou novo capítulo. Foi aos autos da ACP movida
pelo Ministério Público Federal para se queixar
os cegonheiros gaúchos associados ao Sintravers. A
montadora norte-americana classifica como “inconcebível
a audácia com que o Sintravers age”. Alegou que
o “violento” bloqueio ocorrido em 29 de junho
do ano passado, “foi premeditado” .
A GM também juntou ao processo, várias correspondências
que teriam sido trocadas entre a empresa Julio Simões
e o sindicato dos gaúchos. Para a montadora, os documentos
provam que além de exigir reserva de mercado, os associados
ao Sintravers queriam, ainda, receber fretes iguais ou mais
altos do que os percebidos pelos cegonheiros integrantes do
cartel liderado pelo Sindicam e ANTV. Nas correspondências,
houve ameaça explícita do Sintravers no sentido
de comandar o bloqueio ao transporte da GM, caso a Julio Simões
não atendesse às suas reivindicações,
uma delas de repassar aos associados, 100% das cargas retiradas
pela empresa de Mogi das Cruzes, além da cessão
de carretas em comodato para a execução dos
serviços.
Para a montadora – cujo diretor de assuntos institucionais
Luiz Moan Yabiku Junior responde a ação penal
pelo mesmo motivo – as paralisações “são
a prova cabal de que se há o cartel alegado pelo MPF,
ele definitivamente não conta com a participação
ou conivência da GMB”. Mas a multinacional até
agora não conseguiu explicar nas inúmeras petições
levadas ao conhecimento do juiz federal Altair Antonio Gregório,
por qual motivo paga frete menor para a Julio Simões
e quase o dobro para as outras cinco transportadoras que operam
na planta de Gravataí, fazendo o mesmo percurso. (marileide.q@anticartel.com)