General
Motors “aplica” na Justiça Federal gaúcha
Do
Rio Grande do Sul
05/06/2006
- A General Motors do Brasil está perdida na sua louca
trajetória em defesa do cartel que opera do setor de
transporte de veículos novos no país. A cada
petição levada aos autos da ação
civil pública de número 2002.71.00.02.8699-1,
uma informação equivocada está sendo
entregue ao juiz Altair Antonio Gregório, titular da
6ª Vara Cível da circunscrição federal
do Rio Grande do Sul. Se o Ministério Público
Federal não abrir os olhos, será mais uma vítima
do cartel liderado pelo Sindicam e ANTV com a conivência
cristalina da maioria das montadoras, principalmente da GMB.
Por isso, está requerendo a urgente intervenção
do Poder Judiciário para que o ilícito cesse
imediatamente. Num trabalho investigativo rápido, o
site www.anticartel.com
constatou uma série de equívocos cometidos pelo
grupo de advogados que defende a montadora norte-americana,
com a intenção de postergar ao máximo
uma decisão desfavorável. Tudo passível
de uma litigância de má fé, assegurou
uma fonte.
Na petição ajuizada em 22 de agosto do ano passado,
a montadora, apesar de alertar que a relação
seria de responsabilidade da empresa Julio Simões,
contratada para fazer parte do transporte das três fábricas,
e atendendo ao pedido do magistrado, juntou o rol dos cegonheiros
associados ao Sintravers que teriam sido sub-contratados pela
empresa de Mogi das Cruzes. Mas na extensa lista nenhum transportador
gaúcho aparece. Em seguida, a GMB disse que outros
cinco transportadores (da diretoria do Sintravers) foram contratados
pela Brazul, Transauto, Tegma, CTV e Transzero. Nenhum contrato
foi anexado ao processo para comprovar as afirmações.
A GMB informou à Justiça que no dia 2 de setembro
de 2002 – 60 dias após receber a Recomendação
do Ministério Público Federal para abrir o mercado
no setor de transporte de veículos – repactuou
os contratos com todas as transportadoras de veículos,
ficando os documentos com data de vencimento indeterminada,
mas assinou contrato com a Julio Simões, de acordo
com a cláusula 7ª, por um ano, abrindo possibilidade
de renovação num período de no máximo
três anos.
Ao mesmo tempo, a GMB informou à Justiça Federal
gaúcha que firmou carta de intenção de
transporte com a empresa argentina Elta, a qual teria sub-contratados
25 cegonheiros associados ao Sintravers.
Também de acordo com a montadora, não tem conhecimento
das ligações da Elta com a transportadora Sada,
uma das empresas filiadas a ANTV, acusada de formação
de cartel. No entanto, até 11 de outubro de 2005, o
Elta constava na home page da Sada como uma das empresas integrantes
do grupo, conforme constatou o Ministério Público
Federal.
No decorrer do longo processo, que já possui 28 volumes
e mais de 7 mil páginas e documentos, a GMB vem anexando
cópia das notas fiscais e de alguns conhecimentos de
frete para tentar provar que está cumprindo a determinação
da Justiça. Mas o MPF também desconfiou e recebeu
denúncias de que notas fiscais estavam sendo extraídas
em nome da Elta e os conhecimentos de transportes impressos
em nome da empresa TNorte (também do grupo Sada-Dacunha-Brazul),
o que significa que a Elta não realiza efetivamente
o transporte. O site www.anticartel.com
constatou neste domingo, que as home page da Dacunha e da
TNorte estão fora do ar.
Mais adiante, a GMB faz sérias e graves acusações
ao Sintravers, inclusive de realizar manifestações
violentas para impedir os carregamentos dos veículos
produzidos na unidade de Gravataí, alegando que a normalidade
do escoamento só foi possível “mediante
o uso da força policial”. A GMB também
anexou cópia de documentos de caminhões que
segundo ela, seriam de propriedade do presidente e do tesoureiro
do sindicato gaúcho, mas em nenhum dos documentos consta
o nome dos dirigentes.
Autor da ação civil pública que também
tem como réus o diretor de assuntos institucionais
da montadora, Luiz Moan Yabiku Junior, o Sindicam e a ANTV,
o Ministério Público Federal está insistindo
no fato de que a GMB não cumpre a determinação
da Justiça firmada em 10 de abril de 2003 pela juíza
federal Taís Schilling Ferraz, referendada pelo despacho
saneador de 21 de janeiro de 2004, assinado pela juíza
federal Daniela Cristina de Oliveira Pertile, e no último
despacho a respeito do assunto dado pelo juiz federal Altair
Antônio Gregório de 11 de outubro de 2004. Segundo
o MPF, a Elta é vinculada ao complexo econômico
criado ao abrigo da ANTV.
De outubro de 2004 para cá, nenhuma decisão
significativa ocorreu, estando pendente até hoje a
aplicação da multa na multinacional norte-americana,
por descumprimento da ordem da Justiça Federal.