Diretor
da Brazul compra site para sufocar notícias contra
o cartel do transporte de veículos
De São Paulo
15/05/2006
- Comprar o website www.abraboca.com.br
e mudar radicalmente a linha editorial foi a fórmula
mais cômoda encontrada pelo cartel que controla esmagadora
parcela do setor de transporte de veículos zero quilômetro
em todo o país para acabar de vez com o noticiário
desfavorável ao grupo que está sendo indiciado
pela Polícia Federal inclusive por formação
de quadrilha, além de outros crimes. A agência
de notícias que opera pela internet denunciava até
as operações com uso da violência, praticadas
por integrantes do Sindicato dos Cegonheiros de São
Paulo – Sindicam.
O
esquema para a aquisição do site ficou por conta
do diretor Gilberto Portugal, da Brazul Sistema de Transportes,
empresa do grupo Sada (que retirou a Elta, empresa argentina
do mesmo grupo, de sua homepage na internet). A aproximação
com o jornalista Ivens Carús, que era editor e proprietário
do website foi feita através de dois dirigentes do
Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul, o presidente
Jefferson de Souza Casagrande e o tesoureiro, Silvio Dutra.
Os dois assumiram ainda a responsabilidade pelo leva-e-traz
das propostas e contrapropostas e o fechamento do negócio,
sob o comando de Portugal. O contrato de compra e venda foi
elaborado pelo advogado do sindicato gaúcho, Gilberto
Souza dos Santos, que também participou de reuniões,
influindo na decisão.
Com
receio de colocar o website em seu nome, evitando levantar
suspeitas, Portugal sugeriu como comprador, Rafael Santos
e Silva, irmão do funcionário da Brazul, Alexandre
Santos e Silva, o qual passou a controlar as matérias
veiculadas na agência de notícias que antes da
negociação gozava de grande credibilidade junto
ao setor automotivo e autoridades. O novo administrador do
site teve sua foto publicada em anúncio da Brazul intitulado
“A razão de nossa existência é você
(cliente), portanto desejamos sempre tê-lo conosco”,
onde aparece junto a outros seis funcionários da transportadora
com a identificação de que atende pelo ramal
220.
O
valor da transação do site ainda está
sendo levantado. Quatro ações (duas cíveis
e duas crimes) movidas pelo cartel em Minas Gerais e São
Paulo, contra o então editor e proprietário
do website foram retiradas pelos autores ou firmado acordo
nos autos, neutralizando os feitos. Há suspeita de
que tenham sido parte integrante da negociação.
Na última, em São Bernardo do Campo/SP, o jornalista
contou com a proteção de delegados e agentes
da Polícia Federal. Gravações de ligações
telefônicas e de reuniões em Porto Alegre confirmam
a negociata. Procurado pelo site www.anticartel.com
Carús preferiu “não comentar ainda o assunto”,
mas confirmou a veracidade do caso.
As
informações estão com a Polícia
Federal do Rio Grande do Sul e com o Ministério Público
Federal gaúcho, autor de ação civil pública
onde aparecem como réus o Sindicam, a ANTV, a General
Motors do Brasil e o diretor de assuntos institucionais Luiz
Moan Yabiku Junior. Em outra ação penal, também
movida pelo MPF gaúcho, são réus por
prática de cartel Luiz Moan, Paulo Guedes (ex-presidente
da ANTV) e Aliberto Alves, presidente do Sindicam. Outros
dirigentes de sindicatos e executivos de transportadoras foram
indiciados pela PF em inquérito policial federal que
tramita na 3ª vara Criminal da Justiça Federal
de Porto Alegre. (marileide.q@anticartel.com)