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  Informativo Anticartel.com (037), 05 de maio de 2006.  
 

Operação Sanguessuga desarticula quadrilha que fraudava
licitações para compra de ambulâncias Iveco
De Brasília e Cuiabá

05/05/2006 - A Polícia Federal deflagrou na madrugada dessa quinta-feira, a operação Sanguessuga. O objetivo foi desarticular uma organização criminosa especializada na prática de crimes contra a ordem tributária e fraudes em licitações na área da saúde que agia desde o ano de 2001. Até o final da tarde 46 pessoas foram presas na operação, e 53 mandados de busca e apreensão cumpridos. Oito ainda poderão ser presos nesta sexta-feira, caso não se apresentem à Policia Federal. No esquema criminoso, a quadrilha movimentou mais de R$ 110 milhões comercializando irregularmente pelo menos 1.000 ambulâncias, a grande maioria da marca Iveco.
Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Cuiabá/MT, onde a operação Sanguessuga foi disparada. Cerca de 250 policiais federais participam da operação nos estados do Acre, Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Integravam a quadrilha funcionários públicos que atuavam no ministério da Saúde e na Câmara dos Deputados.
De acordo com o que foi apurado nas investigações, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao orçamento para que fossem destinadas a municípios específicos. Com recursos garantidos, o grupo - que tinha um importante membro ocupando cargo de assessoramento superior no ministério da Saúde, em Brasília - manipulava a licitação e fraudava a concorrência valendo-se de empresas de fachada. Desta maneira os objetos da licitação eram fornecidos a preços superfaturados, às vezes até 120% superiores aos valores de mercado.
Segundo as investigações, através deste esquema a organização negociou o fornecimento de mais de 1.000 unidades móveis de saúde em todo o país. A movimentação financeira total seria de cerca de R$ 110 milhões. Todos os presos foram levados para a capital do Mato Grosso.
Em Minas, quatro pessoas foram presas na capital, Belo Horizonte, Contagem e Governador Valadares. Foram cumpridos seis mandados de busca nas três cidades e em Juiz de Fora, que resultaram na apreensão de documentos e computadores.
Funcionamento
A quadrilha desmontada pela Polícia Federal, que fraudava a venda de ambulâncias para prefeituras de diversos Estados do país, era chefiada pela família Trevisan Vedoin, no Mato Grosso.
A empresa da família era chefiada por Darci José Vedoin e tinha membros infiltrados na Câmara dos Deputados, no ministério da Saúde e na Associação de Municípios do Mato Grosso.
O primeiro passo da ação da quadrilha era o contato com os prefeitos interessados. O responsável pelo contato seria José Wagner dos Santos.
Nessa conversa com os prefeitos, ele dizia que poderia entregar uma ambulância completa antes do prefeito consegui-la pelos trâmites normais. Com isso, o prefeito ficaria livre de toda a burocracia e não teria de fazer nenhum esforço.
Com a concordância do prefeito, a quadrilha acionava assessores de parlamentares que preparavam emendas a serem apresentadas por deputados e senadores. O texto era aprovado no Congresso Nacional e a assessora do ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, teria a incumbência de aprovar o convênio e facilitar a liberação do recurso.
Caberia à empresa Planam, de propriedade da família Trevisan Vedoin, montar as ambulâncias e entregá-las ao prefeito. A empresa superfaturava em até 110% a operação e entregava um veículo sem os equipamentos necessários para atendimentos de emergência.
No total, a quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões desde 2001 e entregue 1.000 veículos. Cada intermediário recebia propina para atuar. Há indícios, conforme as investigações, que dois ex-parlamentares, Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues, tenham também recebido propina.
A quadrilha já começava a operar um outro esquema. Dessa vez, em licitações de equipamentos para inclusão digital. O delegado responsável, Tardeli Boaventura Cerqueira, disse ter encontrado indícios de licitações fraudulentas nessa área.
A denúncia que permitiu o início das investigações partiu do próprio governo. Coube à Controladoria-Geral da União alertar a Polícia Federal sobre as irregularidades.
A Polícia Federal iniciou as investigações em 2004 e com o auxílio da Receita Federal, identificou 22 empresas fantasmas montadas para dar aparência de veracidade para as concorrências para venda das ambulâncias.
Foram quebrados, com a autorização da Justiça, os sigilos bancário e telefônico de 60 pessoas. Com base nessas informações, os envolvidos foram identificados.
A PF ainda não teria identificado os responsáveis por operar o esquema na estrutura do governo durante a gestão Fernando Henrique Cardoso.
Prisões
De acordo com informações ainda não confirmadas, assessores de parlamentares estariam entre os oito que ainda não falaram à Polícia Federal. Esses parlamentares, como o líder do PSB na Câmara, o deputado Paulo Baltazar/RJ, foram citados nos telefonemas trocados entre os envolvidos.
A PF prendeu hoje assessores de pelo dez parlamentares: Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE), Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Elaine Costa (PTB-RJ), que está licenciada, Edna Macedo (PTB-SP), Laura Carneiro (PFL-RJ), João Mendes de Jesus (PSB-RJ), Eduardo Seabra (PTB-AP) e o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). (Gilson.n@anticartel.com) com DCS/PF-Cuiabá e Folha online

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