Sindicam
e ANTV estão impedidos de negociar
reajuste de frete no transporte de veículos
De Brasilia
19/04/2006
– A Secretaria de Direito Econômico – SDE
– órgão do ministério da Justiça
está de olho no sindicato dos cegonheiros de São
Paulo (Sindicam) e na Associação Nacional das
Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) que se
diz em extinção. O motivo é que as duas
entidades estão proibidas de participar de negociações
para discutir valores de fretes. A negociação
deve ser feita apenas envolvendo montadoras, importadoras
e as transportadoras diretamente envolvidas na questão.
O alerta foi dado ontem pela SDE ao afirmar que “a Medida
Preventiva encontra-se em vigor, proibindo a ANTV e o Sindicam
de participarem de negociações de frete. Qualquer
infração a essa determinação deverá
ensejar a aplicação de multa ao infrator”.
A multa é de R$ 5 mil por dia. No Cade a multa poderá
chegar aos R$ 6 milhões para cada uma das entidades,
mas o processo está paralisado desde o dia 19 de janeiro,
aguardando o parecer do Pro-Cade.
Uma notícia veiculada no dia 13 deste mês pela
Gazeta Mercantil (página 39) aponta para a existência
de uma planilha de custos a qual prevê reajuste de 8%
no frete dos veículos novos, atribuída à
Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Centro
de Estudos em Logística (Cel) da Coppead vai se manifestar
sobre o assunto.
A SDE deixou claro que não cabe à secretaria
determinar quem deverá fazer a negociação.
O objeto da medida preventiva foi proibir cautelarmente as
duas entidades de participarem das negociações
de fretes, privilegiando-se a “liberdade de negociação
individual das montadoras em relação às
empresas de transporte e essas em relação aos
cegonheiros”.
Ainda de acordo com a secretaria, “aumentos dos preços
de fretes podem ocorrer, como qualquer outro tipo de aumento
de preços na economia, desde que de acordo com as necessidades
e estratégias individuais dos agentes econômicos
e limitados pelas próprias forças concorrenciais
de mercado. A SDE tem entendido que, negociações
conjuntas de preços entre empresas ou profissionais
liberais concorrentes, com fixação de patamares
uniformes, é muito provavelmente uma forma de falseamento
da concorrência e, por esta razão, pode ser considerada
infração à ordem econômica”,
esclarece.
Liberadas
A partir da decisão da SDE que ainda está em
vigor, montadoras, importadoras e transportadoras de veículos
estão liberadas para realizarem as negociações,
sem a danosa interferência do Sindicam e da ANTV. A
possibilidade de o Sindicam comandar uma greve nacional pelo
reajuste está comprometida. De acordo com a matéria
da Gazeta Mercantil, o setor movimenta R$ 1 bilhão
por ano. Caso fosse concedido reajuste de 8%, os consumidores
de todo o país arcariam com mais R$ 80 milhões
de prejuízo. (gilson.n@anticartel.com)