Vereador
vincula morte de jovem à máfia
dos cegonheiros e acusa jornais de omissão
Do Rio Grande do Sul
17/04/2006
– O vereador Adeli Sell, do Partido dos Trabalhadores
afirmou da tribuna da câmara, que a morte do garoto
Mário Sérgio Gabardo, de 20 anos, ocorrida no
dia 29 de setembro do ano passado, “foi encomendada
pela máfia das cegonheiras (*), e que aqui se omite,
que aqui os jornais se calam, que aqui a imprensa cala”.
O pronunciamento virou artigo assinado pelo parlamentar da
capital gaúcha, que foi distribuído a milhares
de internautas via correio eletrônico, intitulado “A
vida na cidade como ela é”. No documento são
citadas várias mortes não esclarecidas pela
Polícia do Rio Grande do Sul, a exemplo da do garoto,
filho do empresário do setor de transporte de veículos
Sérgio Mário Gabardo. Severas críticas
são feitas à secretaria da Justiça e
da Segurança pela fraca atuação.
O www.anticartel.com
disponibiliza a manifestação do vereador porto-alegrense
para que o internauta tire suas conclusões:
“Vamos ao que nos interessa: a vida na cidade como ela
é. A vida esvaindo. A vida que ontem era vida, hoje,
é pó, cinzas. Assim aconteceu com a jovem Débora
Koslowski, 27 anos, na Intercap, que há dois meses
luta, incessantemente, pela segurança pública.
Foram várias reuniões.
A poucos metros da 15ª DP, da 2ª Companhia do 19º
BPM, um crime bárbaro, mais uma vez, aconteceu na Praça
Nações Unidas. Um jovem de 21 anos, Carlos Eduardo
Sá, morreu, se foi, não é mais vida!
É uma morte que faz parte de um grande número
de mortes que se acumulam na cidade de Porto Alegre, na Região
Metropolitana, no Rio Grande do Sul.
Quem é o secretário de Segurança Pública
do Rio Grande do Sul, meus senhores e minhas senhoras? Todo
mundo talvez ainda deva achar que é José Otávio
Germano, que, antes do tempo, se foi, sem dar explicações,
assim como seu vice também saiu num momento de crise
do Natal, sem dar explicações, e hoje faz assessoria
de 40 mil reais para uma empresa. É assim que é
a vida - a vida como ela é -, mas, entre isso, há
morte! Como a do jovem de 20 anos, Mário Sérgio
Gabardo, e nada foi feito. Nada foi feito para esclarecer
a morte desse jovem empresário na cidade de Canoas.
Todos nós sabemos que foi uma morte encomendada pela
máfia das "cegonheiras", e que aqui se omite,
que aqui os jornais se calam, que aqui a imprensa cala. E
agora só tem algumas vozes que se levantam, como a
do seu pai, da sua família entristecida, deste vereador
e da minha bancada, que não vai se calar diante dessas
mortes.
Estamos em uma situação em que não devemos,
não podemos, não temos o direito de falar do
Rio de Janeiro, nós não temos o direito de falar
dos "falcões" dos morros do Rio de Janeiro,
nós temos que falar dos "falcões"
do Morro da Cruz. Porque, no documentário do MV Bill
e do Celso Athayde, onde acham que foram filmadas aquelas
cenas? No morro da Cruz, Porto Alegre. Pois há dias,
aqui no Arapeí, aqui pertinho de nós, na Grande
Cruzeiro, uma pessoa foi metralhada com 40 tiros. Essa notícia
eu não vi nas páginas dos jornais, como outros
crimes. Aqui em Porto Alegre, esses crimes não aparecem
nas páginas dos jornais. Tem uma combinação
para que alguns crimes mais "barra pesada" não
apareçam.
Há temos uma brutal insegurança em nossa cidade
e a Prefeitura cala diante de um roubo de R$ 60 mil em vales-transportes,
na EPTC, no dia 31 de janeiro deste ano. Nada falou, só
foi dar explicações no dia 10 de fevereiro,
depois que eu, no dia 9, descobri que isso aconteceu, e a
Prefeitura não fez um alarde, não disse publicamente
que abriu sindicância. Pois, também, por um Pedido
de Informações, fiquei sabendo, tenho a confirmação,
que os vales-transportes que foram roubados da Vigilância
Sanitária, foi outra "babilônia" de
dinheiro. E os R$ 50 mil em equipamentos que foram roubados
do Auditório Araújo Vianna? Nem uma linha nos
jornais, a não ser a confirmação que
me dá a Secretaria Municipal da Cultura. E eu sei de
outros eventos de roubos que houve na Prefeitura, só
vou dizê-los, só vou comunicá-los, quando
tiver a confirmação. Quero ir atrás dos
Boletins de Ocorrência, porque quero saber o que foi
dito, o que foi escrito. Nós vamos às últimas
conseqüências, nós não vamos nos
calar diante do crime organizado em Porto Alegre.
Sobre o que aconteceu no ônibus da Carris, Linha T1:
pasmem, senhoras! Pasmem, senhores! Tive o relato em inúmeras
reuniões no Beco do Salso, que todo mundo sabe quais
são as gangues, quem são os cabeças,
nome, endereço, DNA. Mas aqui, pode ter o DNA, pode
ter as impressões digitais, no entanto, este Estado
não tem comando na Segurança Pública,
este Estado ficou de costas para a população,
mas, graças a Deus, que há 24 mil brigadianos
que ganham mal e são chamados a acompanhar protestos.
No entanto, faltam policiais no Centro da Cidade, onde um
jovem, um menino autista, esta semana, foi duramente massacrado,
machucado. Onde estão os brigadianos? São usados
para manifestações que podem ter segurança
própria.
Desculpem, mas eu preciso falar, porque calar significa morte,
e eu quero vida.
Vereador Adeli Sell
* o site www.anticartel.com
substituiu (na matéria) a expressão cegonheira
utilizada pelo vereador por considera-la equivocada. A foto
é de Maurecy dos Santos