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  Informativo Anticartel.com (022), 17 de março de 2006.  
 

Polícia Federal protege jornalista
de possíveis ataques do cartel
De São Paulo


17/03/2006 - A Polícia Federal mantém a disposição de cercar todos os flancos no combate ao cartel no setor de transporte de veículos zero quilômetro, liderado pela ANTV – Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos – e Sindicam – Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo – a fim de impedir possíveis novos atos criminosos. Na tarde de quinta-feira, colocou agentes especializados para proteger o jornalista Ivens Carús, editor do site www.abraboca.com.br (agência de notícias que denunciava as ações do cartel e que de uma hora mudou a linha editorial) durante audiência na 2ª vara criminal do foro de São Bernardo do Campo. A ANTV ingressou com queixa-crime contra o profissional por injúria e calúnia.
“Estou aqui para provar que não cometi nenhum crime ao divulgar as notícias sobre as investigações das autoridades competentes as quais confirmam o envolvimento da ANTV nas atitudes que mantêm o mercado fechado. Se houve crime, o autor seguramente não sou eu, mas o pessoal que está por trás dessa entidade”, disse Carús. O advogado a ANTV desistiu da ação durante a audiência. “Sem dúvida isso mostra que não teriam como sustentar as acusações imputadas ao meu trabalho”, afirmou o jornalista após o término da audiência, escoltado por dois agentes da PF que o acompanharam desde a descida da aeronave no aeroporto de Congonhas e o colocaram no vôo para Porto Alegre-RS.
Integrantes da Polícia Federal de Três Estados, incluindo o Distrito Federal, se envolveram na operação de proteção ao jornalista. Pelo menos três delegados federais e quatro agentes foram mobilizados para garantir a integridade do editor do site www.abraboca.com.br (agência de notícias que denunciava as ações do cartel e que de uma hora para outra mudou a linha editorial). O motivo é que a PF, que já comprovou o envolvimento da ANTV e do Sindicam para manter o mercado fechado, tenta impedir que novos atos criminosos possam ocorrer no setor.
Há dois anos, cegonheiros ligados ao Sindicam alugaram veículos no Rio de Janeiro para promover atentados violentos contra cegonheiros que estavam ingressando no mercado. Bombas incendiárias atingiram cargas e caminhões-cegonha. Disparos de armas de fogo eram constantes. Até um motorista teve a cabina do seu caminhão atingida por sete disparos. Uma granada estourou na residência de um executivo de transportadora em São Paulo. Recentemente o assassinato do filho de um empresário gaúcho do setor causou novo alvoroço do mercado. Depois de quase seis meses sem que a polícia do Rio Grande do Sul encontrasse alguma pista, a Polícia Federal está se colocando à disposição para ajudar nas investigações. A guerra pelo mercado, como motivo da morte, não está descartada.
(marileide.q@anticartel.com)

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